Nesta quarta-feira, 23 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um ato na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, onde recebeu apoio de cerca de cem artistas. O encontro, chamado "Cultura com Lula", ocorreu a 11 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, e contou com nomes como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Daniela Mercury, Zélia Duncan, Lenine, Chico César, Fernanda Abreu, Malu Mader e Marieta Severo, além da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e da primeira-dama Janja.
Durante o evento, Lula apresentou como prioridade para um eventual quarto mandato uma ampla transformação cultural das periferias. Ele defendeu uma emenda constitucional para tornar a cultura uma política de Estado permanente, evitando que fique vulnerável a mudanças de governo, como ocorreu na gestão de Jair Bolsonaro, que extinguiu o Ministério da Cultura.
O presidente também propôs a descentralização dos investimentos culturais. Em sua avaliação, teatros, cinemas, bibliotecas e centros culturais não devem se concentrar apenas nas áreas centrais e ricas das cidades. A ideia é levar esses equipamentos e oportunidades para as periferias, permitindo que crianças e jovens tenham contato com diversas formas de expressão e que talentos locais possam se desenvolver.
Uma revolução cultural nas periferias
A proposta apresentada por Lula parte do princípio de que cultura é um direito, não um privilégio. Ao ampliar o acesso à produção cultural, o objetivo é fortalecer a cidadania, o pertencimento e o reconhecimento social. A estratégia busca inverter a lógica tradicional: em vez de moradores das periferias se deslocarem para o centro, os investimentos públicos se aproximariam das comunidades, estimulando a produção artística local e incorporando manifestações do interior e de diferentes regiões do país.
O encontro também serviu para reforçar a mobilização de artistas na reta final da campanha. Nos últimos dias, nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sophie Charlotte, Xamã e outros já haviam manifestado apoio público a Lula. No ato, o presidente relacionou cultura e democracia, convocando os artistas a participarem do debate público, defendendo liberdades democráticas e resistência a projetos autoritários.
Além das propostas estruturais, o evento abordou outros temas, como as apostas esportivas online. A cantora Daniela Mercury defendeu o fim dessas plataformas, as bets, e Lula reiterou a ideia. Ao colocar a cultura no centro de sua agenda, Lula pretende associar a reconstrução das políticas públicas do setor a uma ambição mais ampla: fazer a presença do Estado nas periferias não apenas uma resposta a carências, mas também um caminho para ampliar oportunidades, criatividade e participação na vida cultural brasileira.







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