A onda de informações e vazamentos que dominou Brasília recentemente, após ações lideradas pelo ministro André Mendonça, gerou apreensão em alguns setores progressistas. Há quem tema que a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o processo político-eleitoral sejam prejudicados. Contudo, uma análise dos fatos indica o oposto: o presidente não deve perder apoio com o episódio envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, enquanto Flávio Bolsonaro pode enfrentar complicações significativas.

É fundamental diferenciar as esferas institucional e política. Alexandre de Moraes foi peça-chave na defesa das instituições e na contenção de investidas consideradas golpistas. Apesar desse mérito, ele não se confunde com o presidente da República. O Judiciário é independente do Executivo, e o ministro, amparado pela presunção de inocência, responderá por seus atos e pelos de seu círculo familiar.

Distanciamento do governo e foco em Flávio Bolsonaro

A postura do Partido dos Trabalhadores e do governo tem sido de distanciamento, considerando o caso como algo pessoal e profissional de um magistrado, sem conexão com a Presidência da República. A tentativa da oposição de vincular esse desgaste ao presidente é vista como ineficaz.

Aqueles que esperavam que a ofensiva de Mendonça beneficiasse a extrema direita cometeram um erro de cálculo. Se a intenção era desgastar o governo para fortalecer o projeto político do clã Bolsonaro, o efeito pode ser o contrário. O mesmo rigor investigativo aplicado a Alexandre de Moraes deverá ser estendido a Flávio Bolsonaro. Seria inviável para o sistema de justiça investigar possíveis transferências e contratos envolvendo Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, ao mesmo tempo em que protege operações suspeitas atribuídas ao filho de Jair Bolsonaro.

As transações milionárias relacionadas a Flávio Bolsonaro no caso conhecido como Dark Horse, que somam cerca de R$ 70 milhões, possuem grande materialidade. Punir ou enquadrar o magistrado sem abordar as operações que beneficiaram o senador seria uma incoerência que as instituições não conseguiriam sustentar sem desmoralização.

Atuação do governo e cenário futuro

Diante desse cenário, o governo federal mantém uma postura de serenidade. Quando surgiram problemas com o Banco Master, Fernando Haddad, ministro da Fazenda, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, e o próprio presidente Lula agiram dentro da lei e do interesse público. Não houve negociações escusas ou acordos secretos por parte do Executivo. A atuação técnica da equipe econômica protegeu o sistema financeiro e manteve a Presidência resguardada por sua ética.

Enquanto a direita busca usar as revelações para criar uma crise artificial contra o governo, a dinâmica dos acontecimentos aponta para outro desfecho. O presidente Lula permanece preservado e inatingível nesta disputa. Quem realmente enfrenta uma situação delicada, sem respaldo, é a família Bolsonaro.