247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira (22), ao abrir o debate geral da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, os “desmandos das superpotências”.

Lula afirmou que as Nações Unidas atravessam hoje seu “momento mais crítico”, ao criticar a paralisia do Conselho de Segurança da ONU diante de conflitos armados internacionais.

“A ONU está falhando em uma de suas missões mais elevadas, a de livrar a humanidade do flagelo da guerra”, afirmou Lula. “Somos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre seu papel”, acrescentou Lula.

Lula criticou o direito de veto aos membros do Conselho de Segurança, classificando a prerrogativa como um “pecado original” da fundação da ONU.

Lula afirmou que o Brasil é um país “amante da paz”, ao relembrar seu histórico de luta contra a ditadura militar e sua defesa do Brasil contra o golpe.

“Somos chamados a optar entre o multilateralismo e unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação”, afirmou Lula, ao destacar a parceria com a China.

“Iniciativas como o Grupo de Amigos da Paz, criado por Brasil e China, revelam que há força da comunidade internacional dispostas a trabalhar pelo diálogo”, afirmou Lula.

Em um recado aos Estados Unidos, Lula criticou o que classificou como “tentações hegemônicas”. “Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo num contexto de tentações hegemônicas”, afirmou Lula.

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou Lula.

Lula também afirmou que voltam a crescer tentativas de interferência eleitoral e de neocolonialismo.

“A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, afirmou Lula.

“A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, afirmou Lula.

O presidente Lula não citou nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no contexto das declarações. Ao defender o combate ao crime organizado, Lula afirmou que entregou pessoalmente ao presidente dos EUA uma proposta que afasta a possibilidade de um cerco militar ao país.

“Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades”, afirmou Lula. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, acrescentou Lula, ao defender maior cooperação no combate ao crime organizado.

Sobre as pressões econômicas dos EUA, Lula afirmou: “Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix”.