Com as eleições brasileiras no centro da atenção global, o presidente Lula ganhou com seu discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, na manhã desta terça-feira (22), em Nova York, o respaldo dos líderes mundiais para entrar na reta final da disputa presidencial com os motores a plena força. Aplaudido por quatro vezes durante o pronunciamento, ele foi claro em dimensionar a importância da eleição brasileira no contexto da crise de relacionamento entre os países provocada pela postura radical e unilateral dos Estados Unidos em todas as frentes de diálogo e cooperação.

“A democracia está em xeque”, apontou Lula. “Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e as investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, afirmou ele, em referência à posição americana sobre a América do Sul e, em particular, diante da eleição brasileira.

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, demarcou Lula sobre a dupla intenção de os Estados Unidos avançarem sobre as riquezas naturais do País e do adversário Flávio Bolsonaro estender um tapete vermelho para o domínio americano sobre o território nacional. A diferença de postura do governo brasileiro foi acentuada com todas as letras.

“Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender as nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo”, garantiu Lula. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, pontuou, tocando no risco presente de operações militares dos EUA no Brasil sob o pretexto de combater organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho.

Lula fez uma confissão de fé na democracia. “Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular”, lembrou o presidente. “Teremos um pleito transparente, competitivo, em que todos os candidatos desfrutam de liberdade de expressão”.

Não houve, no discurso, nenhuma contemporização frente às tentativas da extrema-direita de instalar a confusão no pleito. “Não subestimamos o desafio das redes de desinformação, que pretendem desvirtuar o debate público, mas possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto. Não permitiremos que inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular”, definiu para, sob aplausos, ser ainda mais enfático: “O Brasil continuará soberano. Ninguém, ninguém nos afastará desse caminho”.

O décimo discurso do presidente brasileiro na abertura da assembleia anual da ONU contribuiu para aumentar a distância política e ideológica que o separa de Flávio Bolsonaro. Lula demonstrou que defender a democracia, praticar a autodeterminação e somar para um ambiente de entendimento mútuo entre os países, baseado no respeito a cada um, são valores dos quais o Brasil nunca abriu mão. O inverso do que propõe o candidato da extrema-direita.