O presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja manter distância pública do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A decisão visa diminuir o impacto eleitoral gerado pelo relatório da Polícia Federal, que indicou possíveis irregularidades na conduta do magistrado no processo envolvendo o Banco Master. Enquanto o chefe do Executivo busca se afastar da polêmica, adversários políticos têm intensificado as críticas ao membro da Corte.

Segundo informações de aliados de Lula, o presidente evitará comentários espontâneos sobre o tema. Se questionado, deverá reforçar a autonomia do Supremo, ressaltando que questões internas do Judiciário não são de alçada do Executivo. Interlocutores da Presidência consideram que qualquer manifestação de apoio a Moraes poderia resultar em perda de votos e reforçar a percepção de proximidade entre o governo e o STF, principalmente entre parte do eleitorado.

Detalhes do caso e monitoramento do Planalto

O relatório policial apontou indícios de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria recebido orientações de Moraes durante a crise que antecedeu a liquidação da instituição financeira. As mensagens citadas na apuração sugerem que Vorcaro buscou a intervenção do ministro para tentar evitar o fechamento do banco e frear as investigações. As conversas, que se estenderam por 13 dias, revelam que o ex-banqueiro discutiu formas de 'sensibilizar' autoridades e questionou como poderia 'desarmar' e 'reverter' a situação. É importante notar que as informações do material investigativo não configuram uma conclusão definitiva sobre a conduta do magistrado.

O Palácio do Planalto acompanha pesquisas que indicam uma associação de decisões e controvérsias do STF ao governo Lula por parte da população. Essa conexão é uma preocupação para os assessores do presidente, especialmente em um período em que Lula busca um quarto mandato. O governo já havia adotado uma postura de distanciamento da Corte no início do ano, quando as repercussões do caso Master começaram a afetar a imagem do STF.

Reação de adversários

Apesar do afastamento público, Lula manteve encontros regulares com ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, ao longo de seu terceiro mandato. A relação entre Lula e Moraes, considerada amigável, teve momentos de tensão, como após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo, quando aliados de Lula indicaram que Moraes teria atuado contra o nome proposto pelo Planalto. Contudo, ambos se reaproximaram posteriormente, com Moraes participando da articulação para restabelecer o diálogo entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em um jantar em agosto.

Paralelamente, presidenciáveis de direita como Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) criticaram publicamente o ministro após as revelações do relatório da Polícia Federal. Flávio Bolsonaro defendeu a saída de Moraes do STF, afirmando que ele 'não tem menor condição de continuar'. Romeu Zema adotou um tom mais incisivo, declarando que 'Impeachment é pouco, ele merece é cadeia'. Augusto Cury, por sua vez, utilizou o episódio para defender a alteração na duração dos mandatos dos ministros do STF, criticando a vitaliciedade dos cargos na Corte.