Nesta quarta-feira (2), o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) manifestou-se cobrando uma investigação aprofundada sobre recentes informações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master, e figuras dos poderes em Brasília. O parlamentar destacou um encontro sigiloso, que teria ocorrido em março de 2025, entre Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Além disso, Farias defendeu o afastamento imediato do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de suas funções legislativas.

Encontro e intermedição

As revelações indicam que a interação entre Vorcaro e Mendonça teria acontecido em 14 de março de 2025, com a mediação do advogado Ciro Rocha Soares. O advogado teria abordado o ministro em São Paulo e, posteriormente, enviado mensagens e fotos a Vorcaro, sugerindo a receptividade do magistrado para um diálogo. Após essa aproximação, uma reunião reservada, não incluída na agenda oficial, teria sido realizada no instituto vinculado ao ministro do STF.

Lindbergh Farias enfatizou a necessidade de uma investigação rigorosa sobre essa relação e o teor das discussões. O deputado afirmou que qualquer pessoa envolvida no caso do Banco Master, incluindo Flávio Bolsonaro, outros parlamentares ou membros do Supremo Tribunal Federal, deve ser investigada minuciosamente. Ele ressaltou que a sociedade brasileira tem o direito de saber o que motivou esses acontecimentos.

Histórico do Banco Master

O deputado traçou um panorama da evolução do esquema financeiro ligado à instituição, apontando para uma mudança na postura do Estado ao longo dos anos. Lindbergh relembrou que a expansão de Vorcaro no sistema bancário enfrentava obstáculos antes de 2019, citando que Ilan Goldfajn, então presidente do Banco Central, impediu a tentativa inicial de aquisição do antigo Banco Máximo.

A situação teria se alterado durante a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro e a gestão de Roberto Campos Neto à frente da autoridade monetária. Durante esse período, o Banco Central concedeu a autorização para a entrada de Vorcaro no Banco Máximo e a subsequente reestruturação para Banco Master. Em contraste, na atual gestão de Gabriel Galípolo no Banco Central, a autarquia vetou uma polêmica operação de compra envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e determinou a liquidação extrajudicial da entidade financeira. Lindbergh também salientou a atuação autônoma e rigorosa da Polícia Federal na prisão de Vorcaro e nas operações policiais deflagradas.

Críticas a Flávio Bolsonaro

Lindbergh rechaçou as declarações de figuras da oposição bolsonarista que têm utilizado o caso Master para criticar instituições de controle e membros do Judiciário. Ao refutar as sugestões de Flávio Bolsonaro sobre o afastamento de ministros do STF, o deputado apontou o que classificou como hipocrisia, mencionando elementos que ligam o próprio filho de Jair Bolsonaro ao banco. Ele reiterou que Flávio Bolsonaro deveria ser imediatamente afastado das atividades de senador da República.

O deputado reforçou que a postura do governo e das autoridades de investigação será pautada pela transparência total, com a apuração de todas as vertentes do escândalo, independentemente de cargos, partidos ou posições jurídicas.