247 – O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) fez cobranças ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça neste sábado (5) e citou o empresário Antônio Carlos Freire Júnior, conhecido como Mineiro.
“Ministro André Mendonça, você tem um dever com o Brasil de fazer essas investigações andarem. Vamos soltar essa delação porque não aceita desde agosto o ministro André Mendonça”, afirmou Lindbergh na rede social X.
O parlamentar do PT mencionou o empresário Freixo Junior, dono da Entre Investimentos, empresa usada pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para enviar recursos para o filme “Dark Horse”, retrato biográfico de Jair Bolsonaro. “O ministro André Mendonça não pode sentar em cima, tem que fazer andar”, disse o petista.
O Grupo Entre repassou pelo menos R$ 10 milhões para o Havengate Development Fund (EUA). O responsável pela gestão do fundo é Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, também condenado a quatro anos de prisão por ministros do Supremo Tribunal Federal por coação judicial (tentativa de interferência no inquérito da trama golpista).
Já o empresário Daniel Vorcaro está preso atualmente por envolvimento em um esquema de fraudes financeiras, que, segundo investigadores da Polícia Federal, movimentou pelo menos R$ 12 bilhões.
Mais escândalos
Irmão do ex-deputado, Flávio Bolsonaro também está envolvido em escândalos envolvendo o filme Dark Horse. O senador disse que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, havia suspendido em maio de 2025 os pagamentos voltados ao financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Mas o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou uma transferência de US$ 1.666.667 feita pelo ex-banqueiro em 16 de setembro de 2025 ao fundo norte-americano Havengate Development Fund, responsável por administrar recursos destinados ao filme.
De acordo com reportagem da revista Piauí, o repasse ocorreu meses depois da data apontada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, como o momento em que Vorcaro teria interrompido os pagamentos ao projeto.
A transferência também teria sido feita oito dias após Flávio Bolsonaro enviar uma mensagem ao banqueiro cobrando parcelas atrasadas. Com o repasse identificado pelo Coaf, o total destinado por Vorcaro à produção subiu de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, valor equivalente a mais de R$ 65 milhões pela cotação da época.
Crise no STF
O deputado Lindbergh fez a cobrança ao magistrado em um contexto de crise dentro do STF após a repercussão de mais detalhes da relação de ministros da Corte com o empresário Daniel Vorcaro.
Na última terça-feira (1), o ministro André Mendonça tornou público material da PF sobre mensagens entre o ex-banqueiro e Alexandre de Moraes. Um dos pontos centrais do material trata do contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF.
Outro item divulgado envolve cartões de crédito do Banco Master emitidos para filhos de Moraes, com limites de até R$ 300 mil. De acordo com as mensagens, o administrador do escritório Barci de Moraes encaminhou o pedido diretamente a Vorcaro, que autorizou a solicitação. O escritório confirmou que os cartões foram emitidos, mas afirmou que eles nunca foram usados.
Após a decisão sobre o material produzido por policiais federais, Alexandre de Moraes enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, relatórios da PF que teriam indicado “fortes indícios” de irregularidades atribuídas a André Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
Moraes tomou a decisão nesta quinta-feira (3), no âmbito do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news. O ministro também levantou o sigilo da decisão e dos documentos citados e determinou que a PGR (Procuradoria-Geral da República) tome ciência do caso.
Depois da iniciativa relacionada à investigação de esquemas de notícias falsas, Mendonça enviou a Fachin um pedido de afastamento de Moraes em meio às repercussões do caso Master.






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