247 – O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que Brasil, China e Índia lideram, ao lado de seu país, a formação de novos polos de crescimento econômico, poder financeiro e influência política no cenário internacional.
A avaliação foi apresentada nesta quinta-feira (3), durante uma palestra promovida pela Sociedade Russa Znanie, paralelamente ao 11º Fórum Econômico Oriental, em Vladivostok. As declarações foram divulgadas pela RT Brasil.
Segundo Lavrov, o fortalecimento dessas nações representa uma mudança na distribuição global de poder após séculos de predominância ocidental. Para o chanceler, esse movimento em direção à multipolaridade não pode ser interrompido.
“A China é o primeiro exemplo. A Índia e o Brasil também. A Rússia sempre foi um ator independente na política externa, com exceção de um breve período após o colapso da União Soviética até o início dos anos 2000. Felizmente, esse período ficou para trás. Essa multipolaridade é uma tendência imparável”, declarou.
O ministro russo sustentou que, durante aproximadamente 500 anos, países ocidentais controlaram o desenvolvimento mundial “com diferentes graus de sucesso”. Esse domínio, de acordo com ele, passou a ser contestado pelo avanço de centros que reúnem “crescimento econômico, poder financeiro e influência política, inclusive militar”.
Lavrov destacou especialmente o desempenho da China, que, em sua avaliação, mantém um ritmo de desenvolvimento não alcançado há muito tempo pelas potências ocidentais. Ele acrescentou que transformações semelhantes podem ser observadas na Índia e em outras economias emergentes.
A inclusão do Brasil entre os principais polos da nova ordem internacional reforça a visão defendida pela diplomacia russa de que o poder global está deixando de se concentrar exclusivamente nos Estados Unidos e na Europa. Moscou tem procurado ampliar sua articulação com países do Sul Global, especialmente em fóruns como o Brics, do qual brasileiros, russos, indianos e chineses são integrantes fundadores.
África busca reduzir dependência econômica
Durante a palestra, Lavrov também afirmou que a África atravessa um “segundo despertar”. Segundo o chanceler, embora os países do continente tenham conquistado a independência política sobretudo a partir da década de 1960, muitos permaneceram economicamente dependentes de suas antigas metrópoles.
“[Países do Ocidente] retiram as matérias-primas e produzem todo o valor agregado por conta própria”, afirmou, ao criticar a estrutura econômica estabelecida durante o período colonial.
Para ilustrar essa desigualdade, Lavrov mencionou uma avaliação do presidente de Uganda, Yoweri Museveni, sobre o mercado internacional de café. Segundo os números citados pelo ministro, o setor movimentaria aproximadamente € 450 bilhões em todo o mundo, mas apenas € 25 bilhões permaneceriam na África.
O restante da receita seria concentrado principalmente nos países onde o café passa pelas etapas de processamento, embalagem, distribuição e comercialização. Para Lavrov, governos africanos buscam agora modificar esse modelo e manter uma parcela maior da riqueza gerada por seus recursos.
“Hoje, a África quer que seus recursos naturais sejam processados em produtos finais comercializáveis, não em algum lugar distante do continente, mas nos próprios países onde esses recursos são extraídos”, enfatizou.
Na leitura apresentada pelo chanceler russo, a busca africana por industrialização e autonomia econômica integra o mesmo processo de redistribuição do poder mundial que impulsiona países como Brasil, China e Índia. Esse movimento, segundo Lavrov, reduz a capacidade das potências ocidentais de controlar isoladamente os fluxos econômicos e as decisões políticas internacionais.






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