Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), enfrenta críticas pela condução das eleições de 2026 após uma sequência de decisões controversas na disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O desgaste do magistrado inclui suspensões de canais de comunicação, medidas contra publicações sindicais e falhas na divulgação de mudanças nos locais de votação. Além disso, investigações revelam movimentações financeiras envolvendo pessoas do círculo do ministro e suas relações com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Censura ao canal de Lula e ao jornal sindical

Em 11 de outubro, Kassio determinou a suspensão do canal de WhatsApp Exército do Lula, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. A campanha alegava disseminação de desinformação, mas não anexou documentos comprovando as publicações consideradas irregulares, de acordo com reportagem da Folha de S.Paulo. A equipe técnica do próprio TSE também não encontrou as postagens apontadas no material analisado. O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o canal por considerar insuficientes as provas, mas Kassio voltou a restringir seu funcionamento, exigindo o registro do canal como instrumento formal de campanha.

Semelhante foi a ação contra o jornal Petróleo dos Brasileiros, do Sindicato dos Petroleiros Unificado. Em 9 de outubro, Kassio determinou, em decisão sigilosa, a suspensão da distribuição e circulação digital de uma edição especial que comparava propostas dos candidatos. A campanha de Flávio alegou propaganda eleitoral irregular, e Kassio acolheu o pedido sem provas de informações falsas na publicação. O sindicato classificou a decisão como censura e afirmou tratar de interesse dos trabalhadores. Cerca de 30 mil exemplares foram recolhidos.

Investigações financeiras e conflitos de interesse

As críticas ganharam outra dimensão com revelações sobre a relação de Kassio com Daniel Vorcaro. A Consult Inteligência Tributária recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025, e transferiu R$ 281,6 mil, em 11 operações, ao escritório de advocacia de Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro. O Coaf apontou movimentações incompatíveis com a capacidade financeira declarada pela empresa. Em 23 de outubro, a revista piauí publicou novos detalhes sobre encontros articulados pelo desembargador Newton Ramos, próximo de Kassio, envolvendo o banqueiro e o filho do magistrado. Kassio declarou que nunca trocou mensagens com Vorcaro, enquanto Kevin afirmou que não prestou serviços diretamente ao Master, atribuindo os valores a serviços jurídicos prestados pela consultoria.

A sequência de decisões contestadas e as investigações sobre o círculo de relações de Kassio colocam em questão a transparência, possíveis conflitos de interesse e a confiança institucional na Justiça Eleitoral. Na reta final de uma eleição presidencial marcada pela polarização, o presidente do TSE deveria ser referência de imparcialidade e clareza.