Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias, e outros quatro ex-assessores foram formalmente indiciados pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) por associação para o tráfico de drogas. A decisão inclui agravantes como o uso de arma de fogo e o exercício de função pública. Além de TH Joias, tornaram-se réus Luciano Martiniano da Silva, vulgo Pezão; Gabriel Dias Oliveira, conhecido como Índio do Lixão; Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu; e Fernanda Ferreira Castro. As prisões preventivas dos acusados foram mantidas pelo colegiado, e o processo de Luciano Martiniano, que está foragido, foi desmembrado para que o andamento dos demais réus não seja prejudicado.

A defesa havia argumentado sobre litispendência, alegando que os mesmos indivíduos enfrentam denúncias na Justiça Federal, mas o tribunal rejeitou a preliminar. O relator do caso explicou que, embora haja relação entre as investigações, as acusações abordam episódios distintos, apurados em diferentes períodos e envolvendo grupos de investigados diferentes.

Acusações do Ministério Público

Conforme denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, o grupo teria se associado a membros do Comando Vermelho a partir de outubro de 2023 para facilitar ações relacionadas ao tráfico de drogas. A acusação aponta que TH Joias teria usado a estrutura de seu mandato parlamentar para nomear pessoas envolvidas no esquema, incluindo Luiz Eduardo, Fernanda Ferreira e Gabriel Dias. Segundo o MP, Gabriel Dias atuaria como tesoureiro da facção criminosa.

A denúncia detalha que o então deputado teria intermediado a compra e venda de drogas, armas de fogo e equipamentos antidrones, além de efetuar pagamentos para a organização criminosa. O Ministério Público afirma ainda que TH Joias mantinha contato com Luciano Martiniano da Silva, apontado como uma das principais lideranças em liberdade do Comando Vermelho, com influência em áreas como Parada de Lucas, Complexo da Maré e Morro do Alemão.

Com o recebimento da denúncia pelo TJRJ, os envolvidos passam a responder formalmente à ação penal. É importante ressaltar que a decisão não configura uma condenação, e as responsabilidades individuais serão avaliadas ao longo do processo judicial.