A Justiça Eleitoral determinou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar o deputado estadual Alexandre Knoploch (PL-RJ). A decisão ocorreu após o parlamentar exibir uma arma durante uma discussão com integrantes da campanha do deputado estadual Flávio Serafini (PSol-RJ), na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. A deliberação foi proferida na quarta-feira (30) pela desembargadora eleitoral Tathiana de Carvalho Costa, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).

Além da investigação, a magistrada suspendeu o porte de armas do deputado até 5 de outubro, um dia após o primeiro turno das eleições, e ordenou a entrega de todas as armas registradas em seu nome à Polícia Federal em até 24 horas. Knoploch declarou à Justiça Eleitoral possuir sete armas de fogo, incluindo um fuzil e uma carabina. Ele também está proibido de comparecer ao comitê eleitoral e a atos de campanha de Serafini, além de não poder ter contato com as pessoas envolvidas no incidente. A decisão ainda aguarda referendo do plenário do TRE-RJ.

Detalhes do incidente e acusações

O episódio ocorreu na segunda-feira (28), durante atividades de campanha na Tijuca. Segundo a Procuradoria Regional Eleitoral, Knoploch foi ao comitê de Serafini após se incomodar com uma música que estava sendo tocada. A discussão escalou depois que uma pessoa fez referência à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Relatos apresentados à Justiça Eleitoral indicam que o deputado utilizou spray de pimenta contra pessoas que estavam na calçada, atingindo pelo menos três. Vídeos do ocorrido mostram Knoploch levantando a camisa e exibindo uma arma de fogo que carregava na cintura, imagens que foram incorporadas ao processo.

A Polícia Federal terá um prazo inicial de 30 dias para investigar suspeitas de impedimento de propaganda eleitoral, ameaça, lesão corporal e violência política de gênero. Os agentes também deverão apurar se o deputado possuía autorização válida para portar a arma mostrada durante a discussão. Em sua decisão, a desembargadora Tathiana classificou a conduta atribuída ao parlamentar como “comportamento altamente reprovável”.

Versões e fundamentos da decisão judicial

A magistrada destacou que há “relato detalhado de múltiplas testemunhas, apontado em registro de ocorrência policial, vídeos, reportagens, a admissão pública do uso do spray pelo próprio requerido e a exibição da arma registrada em vídeo”. Ela acrescentou que os fatos, “se confirmados, configuram em tese crimes de ação penal pública, e três vítimas já manifestaram à autoridade policial o desejo de representar”.

Ao suspender temporariamente o porte de armas, a desembargadora apontou o risco de repetição de episódios semelhantes durante os últimos dias da campanha eleitoral. A decisão faz menção a um vídeo publicado por Knoploch dez dias antes do confronto, no qual aparecia a mensagem: “A paciência acabou! Se não respeitar vou responder com spray de pimenta”. A magistrada também registrou uma publicação feita pelo deputado após o confronto, em que ele afirmava que a política “é na guerra”.

A desembargadora enfatizou que “o porte de arma jamais pode ser utilizado para a intimidação de adversários políticos. A violência armada é o exato oposto da democracia. Em um ambiente democrático, calcado nos regimes do pluralismo político e partidário, as interações devem se pautar na livre circulação de ideias e jamais no poder de intimidação da violência”.

Knoploch apresentou uma versão diferente, alegando ter se sentido ameaçado por integrantes da campanha adversária e reconhecendo o uso de spray de pimenta. Após o incidente, ele publicou um vídeo declarando: “Uso, sim, spray de pimenta pra qualquer um que tentar me agredir”. A PF agora deverá reunir depoimentos, registros policiais e imagens para esclarecer as circunstâncias do confronto e verificar a prática dos crimes apontados pela Procuradoria Regional Eleitoral.