A vida de Therezinha, mãe de três filhos – Pedro e Roberto, além do autor da homenagem – e esposa de Edgar, foi um testemunho de dedicação e resiliência. Embora sua juventude fosse promissora com um diploma em Contabilidade, sua realidade se desenrolou em um cenário onde as mulheres frequentemente se dedicavam integralmente ao lar. Em uma rotina de sete dias por semana, Therezinha era a mestra na administração do lar, garantindo que o orçamento familiar, muitas vezes apertado, fosse estendido ao máximo, reaproveitando alimentos e buscando os melhores preços.

Ela era a personificação da economia doméstica, com um conhecimento apurado sobre onde encontrar as melhores ofertas e como controlar os gastos, incluindo a energia elétrica, com a célebre frase: “Aqui ninguém é sócio da Light!”. Therezinha costurava as roupas dos filhos, cuidava da casa e acompanhava-os à escola, sendo também a principal educadora em casa, ensinando tabuada, conjugação de verbos e geografia.

Alegria e desafios

Apesar da rotina exaustiva, Therezinha encontrava refúgio na música, cantando enquanto trabalhava. A marchinha “A Jardineira” era uma de suas favoritas, um símbolo de sua alegria e, talvez, de sua própria identidade como cuidadora de seu jardim familiar. As letras da canção, com seus versos de consolo e admiração, pareciam espelhar a própria mensagem de força e beleza que Therezinha transmitia.

Em um episódio marcante, após uma transformação no visual com um penteado permanente, Therezinha enfrentou um comentário desfavorável do marido. O que para ele foi uma brincadeira, para ela significou uma profunda ofensa, mergulhando a casa em um silêncio melancólico. Contudo, a superação desse momento, com o perdão e o retorno à canção, demonstrou a resiliência e o amor que permeavam a família.

As camélias, flores que Therezinha tanto apreciava, são metáforas de sua vida: beleza que desabrocha rapidamente e, embora efêmera, deixa uma marca. A memória de Therezinha, que completaria 96 anos em setembro, permanece viva, associada à imagem da “Jardineira” que, com sua canção, transformava a rotina em um ato de amor e resistência, sendo a mais linda e inspiradora figura em seu próprio jardim.