O governo de Israel mantém em seus planos a retirada da população palestina da Faixa de Gaza. A declaração foi feita nesta quarta-feira (2) pelo ministro da Defesa israelense, Israel Katz, à Al Jazeera, que afirmou que a proposta foi apenas suspensa pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para Katz, o esvaziamento populacional do território palestino é a solução defendida por membros do governo de Benjamin Netanyahu.
As autoridades israelenses descrevem a medida como "migração voluntária", enquanto organizações de direitos humanos e defensores da causa palestina a veem como um plano de limpeza étnica. "No fim das contas, não existe uma solução real para Gaza sem essa migração", disse Katz ao jornal Times of Israel. O ministro acrescentou que Israel estaria pronto para assumir o controle de Gaza por "mar, por ar e por qualquer meio necessário".
Resistência e dependência externa
A execução do plano enfrenta resistência, principalmente do Egito, que compartilha fronteira com o território palestino e não aceita receber massivamente palestinos deslocados. Katz reconheceu que qualquer iniciativa para transferir a população de Gaza dependeria do apoio dos Estados Unidos e da disposição de outros países em acolher os palestinos. "Até o momento, Trump não cancelou; ele congelou", afirmou o ministro, que acredita que "esse momento chegará" com o apoio americano.
A proposta de retirada de palestinos contradiz os termos do acordo de cessar-fogo patrocinado por Trump e em vigor desde outubro de 2025. O documento prevê o direito dos palestinos de permanecerem em seu território e a liberdade de retorno para aqueles que decidirem sair. O acordo estabelece que "Ninguém será forçado a sair de Gaza, e aqueles que desejarem sair terão a liberdade de fazê-lo e a liberdade de retornar".
Apesar das garantias, Israel manteve restrições à ajuda humanitária e dificultou a reconstrução de Gaza, segundo a Al Jazeera. Organizações humanitárias alertam que a progressiva inabitabilidade do território pode ser uma forma de induzir a saída de seus moradores, mesmo que oficialmente apresentada como voluntária. O senador democrata Chris Van Hollen reagiu às declarações de Katz, afirmando que o objetivo de Israel foi confirmado. Ele ressaltou que os Estados Unidos fornecem ajuda militar significativa a Israel e precisam "acabar com nossa cumplicidade".
Contexto e reações anteriores
No início de seu mandato, Trump já havia apoiado a retirada da população palestina e sugeriu que os Estados Unidos poderiam assumir o controle de Gaza. Essa proposta gerou forte oposição de países do Oriente Médio, inclusive aliados de Washington. Egito e outras nações árabes argumentam que a transferência da população consolidaria a expulsão dos palestinos e comprometeria a criação de um Estado palestino. A postura de Katz reforça as denúncias de que o deslocamento dos palestinos não saiu da agenda israelense, apesar das garantias formais do cessar-fogo.







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