Harvey Weinstein, de 74 anos, foi condenado nesta quarta-feira a 15 anos de prisão por agressão sexual contra a ex-assistente de produção Miriam Haley. O caso remonta a 2006 e encerra mais uma etapa de uma longa batalha judicial que se arrasta por cerca de 6 anos.

A sentença chega após o tribunal de apelações de Nova York anular, em 2024, a condenação anterior imposta em 2020, quando Weinstein recebeu 23 anos. A corte entendeu que o ex-produtor havia sido prejudicado por depoimentos de outras mulheres cujas acusações não faziam parte diretamente do processo. Em junho de 2025, após novo julgamento, ele foi considerado culpado de agressão sexual contra Haley, mas absolvido de acusação feita pela modelo polonesa Kaja Sokola.

Declaração da vítima

Miriam Haley compareceu ao tribunal e fez declaração sobre o assédio e a humilhação que afirma ter enfrentado. Ela também denunciou ter sido difamada publicamente por Weinstein e sua equipe de defesa. Segundo Haley, tudo o que viveu desde a agressão "já foi uma sentença de prisão perpétua", pedindo ao juiz que considerasse isso ao determinar a pena.

O magistrado afirmou que Weinstein não será lembrado apenas pelos filmes que produziu, mas por ter se tornado uma das figuras centrais do movimento #MeToo. O juiz acrescentou que o ex-produtor se aproveitou dos sonhos profissionais de Haley na indústria cinematográfica, declarando: "Você tinha tudo. Seu legado poderia ter sido consolidado com grandeza, mas você o desperdiçou ao agredir Miriam Haley".

Weinstein sempre negou as acusações, afirmando que as relações sexuais foram consentidas e pedindo desculpas "a qualquer pessoa a quem tenha causado dano". O ex-produtor declarou que não era "um homem violento".

Outros processos

Além do caso em Nova York, Weinstein responde a um caso separado na Califórnia. Em junho, um tribunal de apelações determinou que fosse reavaliada a pena de 16 anos de prisão que ele cumpre pelo estupro da modelo e atriz Evgeniya Chernyshova, ocorrido em Los Angeles em 2013, embora tenha mantido a condenação. No processo relacionado a Jessica Mann, os promotores desistiram de seguir com o caso após a denunciante afirmar que não conseguiria testemunhar novamente. Considerando a idade de Weinstein e as penas já impostas, o ex-produtor poderá passar o restante da vida na prisão.