Grupos de WhatsApp estariam promovendo uma operação remunerada para influenciar a opinião pública em Pernambuco, com foco na campanha eleitoral de 2026. A ação envolveria pagamentos via Pix por comentários favoráveis à governadora e pré-candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), e críticas ao pré-candidato João Campos (PSB). A iniciativa sugere uma estratégia coordenada para a mobilização digital.

Um dos participantes de um desses grupos revelou que os envolvidos recebem R$ 20 por postagem. A reportagem identificou a atuação de pelo menos dois grupos, “RL55” e “Raquel 2026”, que operariam com essas "missões" de engajamento. Renato Neto, influenciador de Santa Cruz do Capibaribe e membro do grupo RL55, confirmou a dinâmica, que inclui comentar, curtir e compartilhar conteúdos específicos mediante remuneração. Os pagamentos, segundo ele, são feitos antecipadamente por postagem.

Coordenação e Pagamentos

Maria Eduarda Lucena Freire, conhecida como Duda Lucena, é apontada como a responsável pela administração dessas atividades e pelos pagamentos via Pix. Advogada da casa de apostas Aposta Ganha, Duda já havia sido mencionada em reportagem anterior sobre grupos que atuaram na campanha de 2024, onde comprovantes de pagamentos relacionados a ações em redes sociais foram apresentados. O grupo “Raquel 2026” tem Duda Lucena como única administradora, e ela já teria orientado os participantes sobre os tipos de comentários a serem feitos, inclusive com ressalvas como “Cuidado com o que vão comentar. Sem xingamentos”.

A dinâmica descrita indica que, após Raquel Lyra realizar publicações em seu perfil no Instagram, os links são repassados aos participantes dos grupos para que promovam o engajamento. Embora o influenciador Renato Neto tenha afirmado ter apenas “contato profissional” com Duda Lucena, ele projeta um aumento na quantidade de ações digitais com a proximidade das eleições.

Controvérsia e Negativas

A atuação de grupos coordenados por Duda Lucena já havia sido exposta em 2024, quando uma reportagem revelou pagamentos semanais de R$ 75 por conteúdos favoráveis a Raquel Lyra e contrários a João Campos. Na ocasião, Duda negou ter orientado ataques e alegou que a participação em mobilizações no WhatsApp seria voluntária. No entanto, o relato atual de Renato Neto contradiz essa versão, ao afirmar o pagamento por postagem e atribuir a Duda a realização das transferências.

A campanha de Raquel Lyra, após as primeiras denúncias, afirmou operar dentro da lei e das regras eleitorais, classificando o apoio nas redes sociais como espontâneo. A assessoria da governadora mencionou ainda a existência de uma “estrutura organizada de ataques” contra ela. A Aposta Ganha também negou qualquer envolvimento financeiro em campanhas políticas ou contratação de pessoas para fins eleitorais. João Campos, por sua vez, solicitou investigação sobre as acusações, enquanto os novos registros e depoimentos adicionam elementos à discussão sobre o financiamento e organização do engajamento político online em Pernambuco.