O governo federal tem planos de destinar até R$ 3 bilhões para a construção, lançamento e implantação do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC-2). A expectativa é que o novo equipamento comece a funcionar em 2035, fortalecendo a infraestrutura de comunicações estratégicas, defesa e transmissão de dados do Brasil, e levando conectividade a áreas distantes. Segundo o jornal O Globo, os primeiros aportes financeiros estão previstos para 2027, após a inclusão das ações relacionadas ao satélite no orçamento dos próximos anos pelo Ministério das Comunicações. Inicialmente, estão previstos cerca de R$ 315 milhões em investimentos nos próximos dois anos, com R$ 159,7 milhões sob responsabilidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em 2027 e R$ 155 milhões destinados à Telebras em 2028.
A iniciativa ganha relevância estratégica devido à crescente dependência global de sistemas de comunicação via satélite privados. O objetivo do governo é manter uma infraestrutura sob controle nacional para atender setores essenciais como defesa, segurança pública, saúde, educação e inclusão digital, especialmente em locais de difícil acesso. Frederico de Siqueira Filho, ministro das Comunicações, ressaltou a importância do projeto para a soberania digital e o Programa Espacial Brasileiro, citando a necessidade de monitorar fronteiras e áreas com mineração crítica.
Controle brasileiro e cobertura abrangente
A Telebras busca parcerias privadas para o SGDC-2, mas planeja manter o controle total sobre o satélite e sua operação, dada a natureza de infraestrutura crítica do projeto. A estatal já possui relações com empresas do setor de comunicação via satélite e, em 2026, abriu um processo de solicitação de informações (RFI) para o SGDC-2, prorrogando o prazo para interessados até 30 de setembro. O ministro Siqueira Filho enfatizou a necessidade de combinar soluções privadas com capacidade própria do Estado para expandir a cobertura, fortalecer a tecnologia e garantir a soberania digital. Há preocupação com a forte presença de empresas estrangeiras no mercado brasileiro de internet por satélite, com a Starlink detendo mais de 90% do mercado na Amazônia Legal, por exemplo.
Diferentemente das constelações de baixa órbita, como a Starlink, o SGDC-2 será um satélite geoestacionário, posicionado a aproximadamente 36 mil quilômetros da Terra, cobrindo uma vasta área a partir de uma única posição orbital (57 graus Oeste). O satélite deverá abranger todo o território brasileiro e a chamada Amazônia Azul, com atenção especial à Região Norte, que depende fortemente de comunicações via satélite. A Agência Espacial Brasileira classifica a missão SGDC como estratégica para as telecomunicações e para o Programa Espacial Brasileiro, envolvendo órgãos como Telebras, Ministério da Defesa, Agência Espacial Brasileira e Inpe.
Tecnologia avançada e sucessão do SGDC-1
Nas consultas ao mercado, a Telebras indicou uma capacidade esperada de 80 Gbps a 100 Gbps para o novo equipamento, superando os 58 Gbps do atual SGDC. A estratégia não se limita a aumentar a capacidade de transmissão, mas também visa integrar o SGDC-2 a uma estrutura que combine diferentes tipos de satélites, permitindo a comunicação com constelações de órbitas baixa e média. O planejamento inclui suporte a sistemas de inteligência artificial, redes de sensores distribuídos e drones autônomos, além da tecnologia “direct-to-device” (D2D), que permite a conexão direta de dispositivos ao satélite sem a necessidade de receptores terrestres.
O SGDC-2 sucederá o SGDC-1, lançado em maio de 2017 e utilizado para serviços civis e militares. A substituição ocorrerá próximo ao fim da vida útil prevista para o primeiro satélite. O SGDC-1, controlado exclusivamente por brasileiros e com centros de operação em área militar, utilizou R$ 2,78 bilhões em investimentos do governo federal. Ele opera nas bandas Ka e X, cobrindo todo o território nacional e a Amazônia Azul, e apoia políticas de inclusão digital como o programa Wi-Fi Brasil. Com uma vida útil mínima prevista de 15 anos para o SGDC-2, a Telebras também estuda alternativas para ciclos mais curtos de substituição ou modernização, dada a rápida evolução tecnológica no setor espacial. O governo pretende que o novo satélite seja um pilar central de uma infraestrutura de telecomunicações sob controle nacional, integrando conectividade, defesa e soberania sobre comunicações estratégicas.







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