O governo federal elegeu a votação do projeto que visa acabar com a jornada de trabalho 6x1 no Senado como uma de suas principais prioridades políticas. A intenção é que a análise ocorra no período entre o primeiro e o segundo turno das eleições, em meio à disputa presidencial e aos esforços do Partido dos Trabalhadores (PT) para associar o atraso da tramitação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Apesar dos esforços governistas para aprovar a matéria nesta semana, após a vitória na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a articulação encontrou um obstáculo na decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele optou por seguir o rito regimental, que prevê um intervalo de cinco sessões entre a votação em comissão e a análise em plenário.
Impasse e estratégia governamental
A decisão de Alcolumbre dificultou a ação do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), que tentava convencer o presidente do Senado a convocar uma sessão extraordinária ainda em setembro. Com o calendário apertado antes das eleições, o Planalto passou a considerar a possibilidade de levar o tema ao plenário somente após o primeiro turno.
Nos bastidores, articuladores do governo acreditam que a votação de uma proposta com forte apelo popular nesse período poderia fortalecer a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pesquisas de intenção de voto sugerem um possível segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, e a estratégia do PT é atribuir a Flávio a responsabilidade pelo não avanço da tramitação do fim da escala 6x1 antes das eleições.
A proposta é vista como uma aposta do campo governista para dialogar com os trabalhadores e pressionar os adversários no debate sobre direitos trabalhistas. Em reunião anterior com Lula, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já haviam indicado que a conclusão da tramitação ficaria para depois das eleições, apesar de sinalizarem compromisso com a matéria.
Além do fim da jornada 6x1, a PEC da Segurança Pública também está em negociação entre governo e Congresso. Contudo, essa proposta está em um estágio menos avançado, pois ainda precisa concluir sua análise na CCJ antes de seguir para o plenário.







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