Um indivíduo acusado de aplicar golpes contra atletas e dirigentes de times gaúchos foi detido nesta quarta-feira (2) em Itaperuna, interior do Rio de Janeiro. A operação, batizada de Falso 9, foi resultado de uma colaboração entre as polícias civis do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro.

O suspeito, identificado como Lucas de Oliveira Eduardo, é investigado por personificar figuras do futebol para solicitar dinheiro a jogadores, ex-atletas e dirigentes. Uma das principais vítimas foi o atacante colombiano José Enamorado, do Grêmio. O golpista se fez passar pelo técnico gremista Luís Castro e convenceu Enamorado a transferir R$ 22 mil via Pix, valor que ainda não foi recuperado.

Modus Operandi e Outras Vítimas

Para ludibriar Enamorado, o suspeito utilizou uma foto do técnico Luís Castro e um número de telefone com DDD do Rio de Janeiro, abordando o jogador por WhatsApp em abril. Antes de solicitar o dinheiro, o falso treinador manteve contato por dias, questionando sobre a rotina, família e desempenho nos treinos do atleta, além de elogiar sua dedicação. Essa estratégia visava construir confiança e evitar a detecção da fraude. O falso Luís Castro pediu que Enamorado não comentasse o contato com outros jogadores e, posteriormente, apresentou um projeto social ligado ao futebol amador no Rio de Janeiro, solicitando uma doação de R$ 22,5 mil para a compra de 300 cestas básicas.

Outros jogadores do Grêmio também foram contatados, mas desconfiaram das mensagens. Em um dos casos, o falso treinador instruiu o zagueiro Walter Kannemann a comparecer mais cedo ao treino, o que gerou suspeita no argentino. O suspeito também tentou enganar personalidades ligadas ao Internacional, como o ídolo Andrés D’Alessandro, mas este último descontinuou o contato ao perceber o pedido de dinheiro.

A Prisão e Investigação

A investigação foi conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia Distrital de Porto Alegre, responsável pela área do CT e da Arena do Grêmio. O delegado Gabriel Lourenço rastreou o suspeito e solicitou sua prisão preventiva, que foi decretada pela 2ª Vara de Garantias de Porto Alegre. Lucas de Oliveira Eduardo, que já era investigado no Rio de Janeiro por golpes semelhantes, permanecerá no estado fluminense.

A Polícia Civil do Rio suspeita que ele tenha aplicado outros golpes na região, havendo registros de pedidos de dinheiro ao técnico Dorival Júnior quando este comandava a Seleção Brasileira e a dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol. Segundo o delegado Lourenço, o fato de o golpista ter sido ex-jogador de categorias de base pode ter contribuído para a credibilidade de suas abordagens, devido ao seu conhecimento da linguagem e do ambiente do futebol.