A 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) atraiu 40 mil visitantes entre os dias 22 e 26 de julho, conforme balanço divulgado pela organização do evento. O número supera em 5 mil o público da edição de 2024, apesar da redução de aportes privados, que passaram de R$ 10,1 milhões para R$ 5,25 milhões na comparação entre os últimos dois anos.

Público recorde e ocupação intensa

Os organizadores celebraram o bom desempenho de público e a ampla movimentação do Centro Histórico e das ruas de Paraty durante os cinco dias de festival. Ainda segundo a organização, a captação de recursos para custear esta edição segue aberta até dezembro.

A poeta Orides Fontela (1940-1998) foi a homenageada do ano, cuja produção literária foi historicamente relegada ao apagamento, tanto em vida quanto após sua morte. A escolha representa um reconhecimento da importância de sua obra e busca ampliar o alcance de sua poesia entre o público.

Programação ampliada e presença internacional

A programação principal contou com 21 mesas, além de atividades espalhadas pela cidade. As Casas Parceiras, espaços com entrada gratuita, saltaram de 35 para 46 unidades, recebendo nomes como Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Cidinha da Silva, Paulliny Tort, Socorro Acioli, Cármen Lúcia, Milton Hatoum, Carla Madeira e Itamar Vieira Junior.

Em diálogo com a trajetória invisibilizada de Orides, a mesa intitulada Inesquecíveis: Quatro Séculos de Poetas Brasileiras reuniu a autora da coletânea, Ana Rüsche. A obra, publicada pela Bazar do Tempo, percorre a poesia feminina brasileira desde o século 18 até as primeiras décadas do século 21, destacando autoras que sofreram com o esquecimento histórico.

Outro ponto forte foi a presença internacional, com diversidade geográfica ampliada. Segundo a curadoria, o “desenraizamento” dos autores convidados refletia o momento político atual e o “bem-vindo universo de instabilidade da palavra, característico da poesia”. Entre eles estavam Hisham Matar, de origem líbia e nascido nos EUA, cujo pai foi sequestrado por oposição ao regime de Muammar Gaddafi, e a luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida, que aborda a diáspora africana.

Na programação paralela, a ativista Angela Davis participou de uma mesa no Sesc Caborê. O programa principal ainda trouxe Nathacha Appanah (Maurício), Ève Guerra (Congo), Julieta Correa (Argentina), Eva Baltasar (Catalunha), Carmen Stephan (Alemanha), Zadie Smith (Inglaterra), Kamel Daoud (Argélia) e Eduardo Halfon (Guatemala).