O Flamengo solicitou ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), permissão para participar como amicus curiae em um processo que questiona a medida provisória relacionada às empresas de apostas esportivas, as chamadas bets. O objetivo é apresentar informações e argumentos para o julgamento da ação que busca suspender a normativa.

A principal argumentação do clube carioca foca no impacto financeiro que a proibição traria ao esporte. O Flamengo citou seu contrato de patrocínio máster com a Betano, avaliado em R$ 268,5 milhões por temporada e válido até o final de 2028, como um exemplo das receitas que seriam diretamente afetadas pela medida. Além disso, o clube questiona o prazo de dez dias estipulado para a retirada das marcas das casas de apostas, considerando-o insuficiente para as adaptações necessárias, com consequências para diversas modalidades e categorias esportivas.

Clubes se mobilizam e pedem prazo de transição

A iniciativa do Flamengo se insere em um movimento mais amplo de equipes de futebol do Brasil que buscam contestar a medida no STF. Há uma articulação entre clubes, casas de apostas, federações e representantes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para solicitar a suspensão da medida e, alternativamente, um período de transição de seis meses para a adequação.

A preocupação central desses grupos é a potencial perda abrupta de receitas. Atualmente, 14 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro têm casas de apostas como patrocinadores máster. Estima-se que o setor movimente cerca de R$ 1,1 bilhão no futebol brasileiro em 2026.

Patrocínios e competições

A presença das empresas de apostas se estende também às principais competições nacionais. A Betano, por exemplo, detém os direitos de nome do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, o que amplia o alcance do impacto financeiro da medida para além dos contratos individuais dos clubes.