247 – O governo dos Estados Unidos acompanha os desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e avalia uma eventual retomada de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, em um movimento que também poderá alcançar outros integrantes da Corte. O resultado da próxima sessão do plenário do Supremo é apontado como um dos fatores que podem pesar na decisão de Washington.

Segundo a coluna da jornalista Mariana Sanches, do UOL, autoridades estadunidenses consideram que uma nova medida contra integrantes do STF pode ocorrer em breve. O Departamento de Estado acompanha particularmente a controvérsia envolvendo Moraes, o ministro André Mendonça e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Sessão do STF entra no radar dos EUA

A crise no STF  ganhou uma nova dimensão depois que André Mendonça pediu que o plenário do Supremo decida se Moraes deve ser investigado por sua relação com Vorcaro.

Mendonça tornou públicas supostas mensagens que, segundo a Polícia Federal, teriam sido enviadas por Vorcaro a Moraes.O ex-banqueiro teria solicitado orientações e informações relacionadas a processos judiciais e procedimentos policiais sigilosos dos quais era alvo.

No mesmo período, o escritório de advocacia do qual Viviane Barci de Moraes é sócia havia firmado um contrato de R$ 131 milhões com Vorcaro. Os episódios passaram a integrar o centro da controvérsia no Supremo e chamaram a atenção de autoridadesdos EUA.

Dino e Gilmar também aparecem no radar

A eventual ofensiva de Washington poderá não ficar restrita a Moraes. Segundo a reportagem, Flávio Dino e Gilmar Mendes estão entre os ministros mencionados como possíveis alvos de uma ampliação das medidas.

Nesse caso, porém, o processo burocrático para a imposição de eventuais sanções poderia ser mais demorado.

Até o momento, não há anúncio oficial de novas medidas contra os ministros. A

Magnitsky havia sido retirada após articulação

Uma eventual retomada das medidas representaria uma reversão da decisão tomada no ano passado pelo Departamento de Estado, quando Washington retirou as sanções impostas a Moraes.

Na ocasião, o órgão justificou a mudança com base em novas prioridades “da política externa” dos Estados Unidos.

A retirada ocorreu após uma negociação que envolveu diferentes interlocutores. Participaram da articulação o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a diplomacia brasileira, empresários com acesso à Casa Branca, entre eles Joesley Batista, e auxiliares do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como o embaixador Richard Grenell.

A possibilidade de uma nova aplicação da Magnitsky indica, portanto, que o entendimento construído naquele momento pode ser colocado novamente à prova diante da crise instalada no STF.

Eduardo Bolsonaro e Figueiredo vão a Washington

Outro elemento da movimentação ocorre diretamente na capital estadunidense. O ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo devem ir a Washington na próxima quarta-feira (16).

Segundo fontes estadunidenses citadas pelo reportagem, as reuniões dos dois podem “acelerar” eventuais sanções contra Moraes e outros ministros do Supremo.

Figueiredo já havia afirmado publicamente que sentia “o cheiro” das sanções, em referência à possibilidade de que novas medidas estivessem próximas.

Procurado após as declarações, ele afirmou que não comenta “possibilidades em discussão”. Eduardo Bolsonaro também não respondeu aos pedidos da reportagem.