Estados Unidos e Irã retomaram as hostilidades contra alvos militares e civis, pondo fim a um período de relativa calmaria e intensificando as tensões no Oriente Médio. Essa escalada ameaça os esforços diplomáticos para conter o conflito e já repercute nos mercados financeiros, com o aumento do preço do petróleo.

As forças norte-americanas bombardearam estruturas da Guarda Revolucionária do Irã. Em resposta, Teerã anunciou ofensivas contra alvos dos EUA na Jordânia, Bahrein, Kuwait e Iraque. Autoridades iranianas relataram que um ataque dos EUA atingiu uma festa de casamento perto do Estreito de Ormuz, resultando em cinco mortes e dezenas de feridos.

Ataques americanos e respostas iranianas

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA informou que os ataques de terça-feira (1º) tiveram como alvo sistemas de defesa aérea, radares, instalações marítimas, equipamentos de lançamento de minas e centros de comunicação da Guarda Revolucionária. A imprensa iraniana registrou bombardeios em diferentes pontos próximos ao Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o comércio global de petróleo, e o governo de Teerã ameaça interromper a circulação de petroleiros sem sua autorização.

Em retaliação, a Guarda Revolucionária do Irã declarou ter lançado mísseis e drones contra a Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait, atingindo acomodações de um comandante americano e instalações de drones. O Corpo de Bombeiros do Kuwait controlou um incêndio em um complexo residencial atingido por um drone iraniano, sem vítimas. Na Jordânia, a Guarda Revolucionária alegou ter matado soldados norte-americanos, embora funcionários dos EUA tenham contestado a informação. O Bahrein também interceptou drones iranianos, e no Iraque, ataques teriam sido realizados contra bases americanas em Erbil, com relatos de mortes não confirmadas.

Repercussões políticas e econômicas

O governo do Catar, mediador de um cessar-fogo em junho, advertiu que os ataques iranianos dificultam a redução das tensões e responsabilizou o Irã. A retomada das hostilidades quebra um período de impasse iniciado em julho, quando Washington e Teerã reduziram suas ações militares. O Irã enfrenta uma economia debilitada e capacidade militar convencional reduzida, enquanto os EUA esgotaram grande parte de seu estoque de mísseis de precisão, gerando preocupações sobre sua prontidão para outros conflitos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, adotou um tom desafiador, afirmando que Washington está em vantagem e questionando quando o povo iraniano se levantará contra seu governo. O comando militar conjunto do Irã respondeu que qualquer país que apoie o “mal norte-americano” na região enfrentará respostas “mais pesadas, amplas e devastadoras”. A administração americana também ameaça aprofundar o isolamento econômico do Irã com novas sanções. A escalada militar provocou efeitos imediatos nos mercados internacionais, com bolsas asiáticas em queda e o petróleo atingindo o maior preço em cinco semanas.