A corrida pelo governo do Paraná está em sua fase decisiva, colocando à prova a influência política do atual governador, Ratinho Junior (PSD). Ele busca eleger seu antigo secretário, Sandro Alex (PSD), para sucedê-lo no Palácio Iguaçu. Concorrendo por um lugar em um possível segundo turno, Requião Filho (PDT) disputa espaço com o candidato apoiado pelo governo, enquanto Sergio Moro (PL) tenta assegurar a vitória já neste domingo (4), dia em que 8.609.026 eleitores irão às urnas.
Analistas políticos indicam que Moro chega à reta final com vantagem, beneficiado por sua reputação na carreira jurídica e pela identificação de uma parcela do eleitorado com pautas de direita e a Operação Lava Jato. Requião Filho, por sua vez, apoia-se em sua própria trajetória e no prestígio político de seu pai, Roberto Requião. Já Sandro Alex aposta no respaldo de Ratinho Junior e na associação com a atual administração estadual.
Apoios e Estratégias na Disputa
Os três candidatos de maior visibilidade contam com apoiadores influentes. Requião Filho possui o suporte do presidente Lula (PT), enquanto Moro serve de plataforma para Flávio Bolsonaro (PL) no Paraná. Sandro Alex, por sua vez, mantém sua imagem fortemente atrelada à do governador Ratinho Junior. Outros nomes que concorrem ao cargo são Adriano Funileiro (PCO), Doutor Alexandre Salomão (Mobiliza), Luiz França (Missão), Samuel de Mattos (PSTU) e Tayná Miessa (UP).
Segundo Elve Cenci, professor de ética e filosofia política da UEL, Sandro Alex possui mais estrutura de campanha e apoios em comparação a Requião Filho, principalmente devido ao engajamento de Ratinho Junior. O governador tem intensificado suas aparições ao lado do candidato nas últimas semanas, inclusive em regiões como Londrina. O professor avalia que Sandro Alex ainda depende da imagem do governador para se apresentar como uma alternativa viável aos eleitores, enquanto Requião Filho, apesar de uma estrutura menor, se beneficia de sua experiência e da memória das gestões de seu pai, Roberto Requião, que deixou o governo estadual há mais de 16 anos.
O Cenário de Primeiro Turno
Nilso Paulo da Silva, advogado especialista em direito eleitoral, observa que Sergio Moro iniciou a disputa com uma vantagem, alavancada por sua imagem como juiz federal e pela visibilidade da Operação Lava Jato. Para Silva, essa vantagem não foi minimizada durante a campanha. Ele considera que Moro está “colocando em risco os demais competidores” e não descarta a possibilidade de a eleição ser definida já no primeiro turno, apesar do forte empenho do governador nos últimos dias para promover seu candidato.
O especialista também ressalta que a confirmação de Sandro Alex como candidato do grupo governista demorou, com outros nomes sendo cogitados inicialmente. Na visão do advogado, essa demora pode ter atrasado o reconhecimento do deputado pelos eleitores. “O Ratinho Junior, terminando seus oito anos, deixou para fazer a sua escolha mais ao final. Talvez precise ser analisado se é um comportamento que deve ser seguido por outros gestores na sucessão: preparar antes ou confiar na boa gestão para fazer o sucessor”, ponderou Silva.






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