Agosto é um mês que, por coincidência, trouxe uma série de maus agouros para a política brasileira. Do assassinato de Juscelino Kubitschek em 1976 ao suicídio de Getúlio Vargas em 1954, passamos pela renúncia de Jânio Quadros em 1961 e chegamos ao acidente aéreo que matou Eduardo Campos, ex-governador e candidato à Presidência, em 13 de agosto de 2014, às vésperas da eleição daquele ano. Seu avô, Miguel Arraes, havia morrido em 2005, também em um 13 de agosto.
Dia 31 de agosto passado foi o marco de outro infortúnio de nossa história política: os dez anos da consumação do golpe contra Dilma Rousseff pela votação havida no Senado Federal, na sequência ou consequência do processo iniciado na Câmara (https://www.brasil247.com/blog/dez-anos-do-golpe/). Houve um tipo de praga sobre os senadores que votaram para dar o golpe em Dilma, disfarçado de impeachment. Tanto entre os que votaram a favor, quanto os que foram contra, a porcentagem dos que ainda permanecem na vida política eletiva é pouco menos de 50%, segundo levantamento recente. A outra metade se aposentou, faleceu ou foi continuar seus negócios empresariais. Uma década decisiva na história do país, pois muita coisa ruim lá plantada estamos colhendo até hoje.
Porém, na avaliação rasa de Hélio Schwartsman na Folha de S. Paulo sobre a efeméride, que, por óbvio, não considera que foi golpe, muito menos reconhece que não havia uma pressão econômica desfavorável, muitas questões ficaram de fora (“Golpes do impeachment”, 1/9). Não apenas o PT disse que foi golpe, como o articulista afirma. Eu também o digo. A desestabilização do governo de Dilma Rousseff havia se iniciado antes, pelas malfadadas manifestações de julho de 2013, com ápice na contestação do resultado do pleito de 2014 pelo derrotado Aécio Neves, que passou a fustigar o início do segundo mandato da presidente reeleita. Fato emblemático é que o comandante do processo contra Dilma na Câmara, Eduardo Cunha, foi preso logo em seguida. Pelos resultados sentidos até hoje, o que houve não foi um crime de responsabilidade, mas, sim, a não subserviência de Dilma aos ditames do Congresso sobre os recursos públicos que, com Temer e com Bolsonaro, se consolidaram como as emendas parlamentares do orçamento secreto.






Comentários
Seja o primeiro a comentar.