A Vara da Fazenda Pública de Londrina determinou a intervenção judicial na Santa Casa de Londrina após identificar irregularidades nas áreas assistencial, sanitária, contratual e financeira. A decisão afasta 8 membros da diretoria e coloca a instituição sob comando de um interventor designado pela Justiça.
A crise financeira é grave. Conforme o balanço de 2025, a Santa Casa acumula dívidas bancárias superiores a R$ 115 milhões, além de cerca de R$ 200 milhões em débitos com fornecedores e prestadores de serviços. Essa situação ameaça a continuidade dos serviços básicos, como fornecimento de água e energia.
Reilly Alberto Aranda Lopes, diretor do Hospital Zona Norte de Londrina, foi nomeado interventor e terá mandato de pelo menos 180 dias. Ele deverá apresentar um diagnóstico detalhado em até 30 dias e convocar eleições para a nova diretoria no prazo de 4 meses. O objetivo é reorganizar a gestão administrativa e assistencial, garantindo que os atendimentos pelo SUS não sofram interrupção.
Falhas documentadas
A decisão da juíza Gabriela Luciano Borri Aranda também aponta falhas na prestação de serviços essenciais. As cirurgias pediátricas regulares tiveram as escalas interrompidas desde agosto de 2023, obrigando o encaminhamento de pacientes ao Hospital Universitário. Há registros ainda de atrasos recorrentes no pagamento de honorários médicos e falta de recolhimento do FGTS dos funcionários.
A medida atende a um pedido do Ministério Público do Paraná e responsabiliza a Autarquia de Saúde de Londrina pela fiscalização da instituição. A Justiça rejeitou o argumento de que o município atua apenas como contratante e ressaltou que, como gestor pleno do SUS, tem obrigação de acompanhar a execução dos contratos. A autarquia terá 60 dias para cumprir recomendações de auditorias estaduais que não foram implementadas.
A Secretaria Municipal de Saúde de Londrina informou que realiza análise técnica e jurídica da ação e afirmou que os apontamentos administrativos decorrentes de auditoria da Secretaria Estadual de Saúde já são alvo de diligências internas. A administração municipal reafirmou seu compromisso com a correta aplicação de recursos públicos, a transparência na gestão e a continuidade dos serviços prestados à população.







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