A recente atitude de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de levantar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) trouxe à tona uma intensa crise na corte. A medida recoloca um dos membros do Tribunal no centro das atenções, em um cenário marcado por uma série de segredos de Justiça e vazamentos estratégicos. Essa situação evidenciou uma lógica persistente de apropriação da Justiça por parte de seus próprios operadores, gerando questionamentos sobre a conduta de autoridades judiciais.

A forma como alguns juízes têm conduzido a legalidade, de acordo com suas próprias conveniências interpretativas, tem corroído a confiança pública no sistema judiciário. A investigação Vorcaro ilustra essa dinâmica, revelando conexões e acessos que comprometem a imparcialidade esperada de quem julga. Além disso, a investigação policial tem se transformado em um palco de disputas entre os próprios ministros, tornando-se uma ferramenta com valor político-eleitoral, como demonstrado pelo uso de vazamentos seletivos.

Risco de Justiça Plebiscitária

A manipulação de informações e a transformação de investigações em arena política levam a um risco crescente de uma justiça plebiscitária. Nesse modelo, a opinião pública, muitas vezes moldada por likes e engajamento nas redes sociais, passa a ditar a interpretação da lei, criando heróis e vilões. Em vez de atuarem como guardiões da Constituição, ministros parecem engajar-se em embates que lembram vinganças e golpes, com acusações de lealdade a projetos de poder daqueles que os indicaram para o cargo.

A postura de alguns integrantes do STF, que se tornam figuras midiáticas com opiniões sobre diversos temas, contribui para essa percepção. Eles ocupam o espaço público, mas os critérios decisivos de suas sentenças permanecem obscuros. Essa dinâmica transforma a toga em um elemento de meme e a autoridade em uma performance autárquica, servindo a uma verdade parcial e conivente. Dessa forma, a Justiça corre o risco de se tornar uma justiça de auditório, buscando agradar a eleitores e funcionando como peça publicitária em campanhas eleitorais, o que ameaça a democracia brasileira.