A Operação Crédito Oculto cumpriu buscas em 32 locais nesta quinta-feira, 24, em seis estados e no Distrito Federal. A ação mira 40 suspeitos de integrar esquema de lavagem de dinheiro ligado à máfia dos combustíveis e suas conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As buscas acontecem em onze cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e no Distrito Federal.
Entre os investigados estão o sócio-proprietário do Banco Genial, Humberto Tupinambá; o empresário Antonio Carlos Freixo Junior; e envolvidos com o Grupo Entre, que enviou US$ 12,33 milhões para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. As buscas foram pedidas pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e autorizadas pelo juiz Sandro Nogueira de Barros Leite.
A investigação apura como empresários Roberto Augusto Leme da Silva (Beto Louco) e Mohamad Hussein Mourad (Primo) usaram fundos de investimento e empresas para esconder patrimônio. Os dois estão foragidos desde 28 de agosto de 2025, quando a primeira fase da Operação Carbono Oculto foi deflagrada e sua prisão foi decretada no Paraná. Beto Louco e Primo são apontados como os verdadeiros donos da distribuidora de combustíveis Terrana, do Rio de Janeiro, cuja aquisição pode ter custado até R$ 153 milhões.
Arquitetura sofisticada de fraude
Segundo os investigadores, a dupla montou um sofisticado esquema envolvendo nine fundos de investimentos e 27 empresas para adquirir a Terrana — que era uma das dez maiores distribuidoras do País. O dinheiro foi movimentado por meio de certificados bancários e cédulas de crédito, sempre escondendo os verdadeiros proprietários. Na época da compra, em 2024, a distribuidora tinha faturamento mensal de R$ 445 milhões e capital social de R$ 245 milhões.
O Banco Genial funcionou como intermediário essencial no esquema. De acordo com os promotores, a instituição "se ofereceu como estrutura financeira fraudulenta para mascarar a ocultação dos valores" que financiaram a compra. O banco teria recebido em troca depósitos semestrais de R$ 18,7 milhões, totalizando R$ 150 milhões. O advogado Rogério Garcia Peres, sócio e fundador da administradora Altinvest, é apontado como "operador criminoso de lavagem de capitais" que ajudou a construir a arquitetura da fraude.
Mensagens encontradas em celulares revelam que o objetivo era impedir que o proprietário americano da Terrana, o grupo Tramp Oil, e a Agência Nacional do Petróleo soubessem que Beto Louco e Primo estavam por trás da compra. Os investigadores apuraram que a dupla buscava manter em funcionamento centenas de postos de gasolina que abasteciam suas operações — inclusive pontos de venda onde integrantes do PCC lavavam dinheiro do tráfico de drogas. A Terrana teve suas atividades suspensas pela Justiça do Rio em 9 de julho.







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