247 – O consumo de carne bovina despencou 11,3% na Argentina entre janeiro e agosto de 2026, em comparação com igual período do ano anterior, diante da queda da produção, do aumento das exportações e da consequente redução da oferta interna. O consumo por habitante também recuou e permaneceu em patamar historicamente baixo.
Os dados foram divulgados pela Câmara da Indústria e Comércio de Carnes e Derivados da Argentina e publicados pela teleSUR, com base em informações do site El Destape. O levantamento aponta que o consumo aparente no mercado argentino somou 1,377 milhão de toneladas de carne bovina com osso nos oito primeiros meses deste ano.
O volume representa uma redução de 175,6 mil toneladas em relação ao mesmo intervalo de 2025. O resultado evidencia a perda de espaço de um alimento tradicional na mesa dos argentinos, em um cenário de menor disponibilidade do produto e pressão sobre o orçamento das famílias.
Na média móvel anual encerrada em agosto, o consumo per capita chegou a 46 quilos por pessoa. O indicador caiu 9,5% em um ano, o equivalente a uma retração de 4,9 quilos por habitante na comparação com agosto de 2025.
Exportações avançam enquanto mercado interno encolhe
A retração do consumo doméstico ocorreu na direção oposta ao desempenho das vendas externas. As exportações argentinas de carne bovina cresceram 6,5% entre janeiro e agosto, na comparação anual, e alcançaram 567,4 mil toneladas em peso de carcaça.
Segundo o relatório, a expansão foi impulsionada principalmente pela cota concedida pelos Estados Unidos no fim de 2025. O avanço das remessas ao exterior contribuiu para diminuir a quantidade de carne disponível no mercado argentino, já afetado pelo recuo da produção frigorífica.
O desempenho das exportações, portanto, não foi acompanhado por uma ampliação da atividade produtiva capaz de sustentar simultaneamente as vendas externas e o abastecimento doméstico. Com menos carne produzida e maior volume direcionado a outros países, a oferta para os consumidores argentinos ficou mais restrita.
Produção de carne bovina cai 6,8%
A Argentina produziu 1,944 milhão de toneladas de carne bovina em peso de carcaça nos primeiros oito meses de 2026. O resultado representa uma queda de 6,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Somente em agosto, a produção totalizou 248 mil toneladas, uma retração anual de 8,7%. O desempenho foi determinado principalmente pela redução do número de animais encaminhados aos frigoríficos.
No mês, 1,011 milhão de cabeças de gado foram abatidas, 12,9% a menos do que em agosto de 2025. Conforme a entidade empresarial, esse foi o 11º menor nível de atividade para um mês de agosto nos últimos 47 anos.
A redução do abate limita a capacidade de recuperação da oferta no curto prazo. Ao mesmo tempo, o direcionamento de uma parcela maior da produção ao exterior intensifica a disputa pelo produto disponível e mantém o mercado interno sob pressão.
Preço do gado sobe 46% em um ano
A menor oferta coincidiu com uma forte valorização do gado vivo. No mercado de Cañuelas, uma das principais referências da pecuária argentina, o preço médio chegou a 3.833,7 pesos por quilo em agosto.
O valor ficou 46% acima do registrado no mesmo mês de 2025. Na comparação com julho, o aumento foi de 3,1%, segundo os números apresentados pela entidade do setor.
No varejo, o grupo de carnes e derivados teve alta mensal de 0,2% no índice de preços ao consumidor. Embora o avanço tenha ficado abaixo do observado em categorias como frutas e produtos de panificação, a elevação acumulada dos preços e a menor disponibilidade do alimento continuam restringindo o consumo.
Os números mostram que a queda da demanda interna não decorre de um fator isolado. Ela reúne os efeitos da redução do abate, da contração da produção, do crescimento das exportações e da pressão exercida pelos preços em um país no qual a carne bovina ocupa papel central nos hábitos alimentares.






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