247 – A ampliação do diálogo militar entre China e EUA ganha novo impulso nesta terça-feira (15), com o início do 13º Fórum de Xiangshan, em Pequim. O encontro reunirá autoridades, diplomatas e especialistas em meio à tentativa das duas potências de reduzir riscos de confronto e construir maior estabilidade estratégica.
Em editorial, o jornal chinês Global Times avalia que a presença de uma delegação norte-americana de nível mais elevado envia sinais de aproximação, embora não represente uma mudança estrutural na estratégia de Washington para a China. Segundo a Reuters, centenas de representantes de dezenas de países, regiões e organizações internacionais são esperados no evento, realizado no Centro Internacional de Convenções de Pequim.
A delegação dos Estados Unidos será chefiada pelo principal diretor do Pentágono responsável pelos assuntos relacionados à China. Na avaliação do jornal, a representação mantém uma prática já estabelecida, mas amplia as condições para discussões pragmáticas sobre políticas de defesa e segurança.
Observadores citados pelo editorial consideram que a presença norte-americana ocorre “em um nível mais alto do que no ano passado” e que “as relações militares entre China e EUA parecem ter melhorado”.
Contatos militares voltam a avançar
A participação no fórum integra uma sequência de contatos retomados sob a orientação do entendimento firmado pelos chefes de Estado dos dois países. Depois de períodos de instabilidade nos canais militares, Pequim e Washington voltaram a promover conversas em diferentes níveis.
No fim de maio, representantes das Forças Armadas chinesas e norte-americanas reuniram-se no Havaí no âmbito do grupo de trabalho do Acordo Consultivo Marítimo Militar. O mecanismo procura reduzir riscos operacionais e evitar incidentes durante encontros entre forças dos dois países no mar e no espaço aéreo.
Entre o fim de agosto e o começo de setembro, o comandante do Teatro Oriental do Exército de Libertação Popular participou de sua primeira reunião bilateral com o chefe do Comando do Pacífico das Forças Armadas dos Estados Unidos.
Esses movimentos são interpretados pelo Global Times como reconhecimento de que China e EUA precisam preservar canais de comunicação, sobretudo diante das disputas envolvendo Taiwan, o Mar da China Meridional, tecnologia, alianças militares e a presença norte-americana na região Ásia-Pacífico.
Estabilidade depende do reconhecimento de limites
O editorial sustenta que a construção de estabilidade estratégica exige uma avaliação realista sobre a determinação e a capacidade de cada país para defender seus interesses fundamentais. Também destaca os custos econômicos, humanos e geopolíticos que um confronto militar direto provocaria.
Na interpretação do jornal, setores políticos dos Estados Unidos ainda conduzem a relação bilateral com base em uma lógica formulada quando Washington dispunha de uma vantagem de poder muito maior. Dentro dessa perspectiva, o diálogo poderia ser condicionado à aceitação, por Pequim, de regras definidas unilateralmente pelos norte-americanos.
A publicação também critica uma visão de gestão de crises que permitiria aos Estados Unidos testar continuamente as linhas vermelhas chinesas e, ao mesmo tempo, cobrar contenção de Pequim.
Para o Global Times, as mudanças no equilíbrio de poder tornam inviável o uso da dissuasão militar como instrumento para forçar concessões da China em questões consideradas essenciais pelo governo chinês. O crescimento econômico, tecnológico e militar do país seria, segundo o editorial, um dos fatores que levam Washington a manter contatos regulares sobre segurança.
Disputas estratégicas permanecem
Apesar da retomada das conversas, o jornal ressalva que a presença de uma autoridade norte-americana de alto nível no Fórum de Xiangshan não significa uma transformação profunda da política militar dos EUA.
A competição estratégica permanece como um elemento central da relação bilateral. Setores políticos norte-americanos defendem o reforço da presença militar na Ásia-Pacífico, enquanto persistem divergências relacionadas a Taiwan, ao Mar da China Meridional, às restrições impostas à tecnologia chinesa e à ampliação de alianças regionais lideradas por Washington.
O editorial classifica como “pequenas ações” as iniciativas dos Estados Unidos destinadas a instalar novas bases nas proximidades da China, deslocar sistemas de armas e formar grupos multilaterais direcionados à contenção de Pequim.
Segundo o texto, essas medidas não seriam capazes de alterar fatores estruturais como o tamanho do mercado chinês, a abrangência de seu sistema industrial, sua capacidade de inovação tecnológica e sua determinação de proteger interesses nacionais.
A publicação também dirige críticas a países ou grupos que procuram explorar as tensões sino-americanas para ampliar sua importância estratégica. Na visão apresentada pelo jornal, as tentativas de alimentar a percepção de uma “ameaça chinesa” tendem a perder eficácia diante das transformações na distribuição global de poder.
Fórum coloca governança da segurança no centro
Com o tema “Construir consenso sobre estabilidade, avançar juntos na governança da segurança”, o Fórum de Xiangshan funciona como uma plataforma chinesa para o debate internacional sobre defesa, gestão de conflitos e cooperação entre países.
O encontro ocorre em um momento no qual Pequim busca projetar a imagem de uma potência capaz de defender seus interesses sem recorrer à criação permanente de tensões militares. Segundo o editorial, a China pretende combinar contenção, fortalecimento de sua defesa, definição de linhas vermelhas e manutenção de canais diplomáticos.
A modernização militar chinesa continuará, de acordo com o jornal, como uma forma de proteger os interesses nacionais e contribuir para a paz regional e a estabilidade internacional.
Para o Global Times, uma relação mais previsível entre as duas maiores potências teria efeitos que ultrapassariam os interesses bilaterais. A continuidade do diálogo de segurança poderia reduzir o risco de erros de cálculo, facilitar o controle de crises e influenciar diretamente a estabilidade da região Ásia-Pacífico e do sistema internacional.






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