A China tem adotado uma estratégia diplomática focada na estabilidade em um contexto de crescentes tensões globais. Essa abordagem se baseia em três pilares principais: a certeza da paz, a promoção da cooperação e o estímulo ao progresso. A avaliação foi apresentada em um editorial do jornal chinês Global Times, que vincula essa política à agenda internacional do presidente Xi Jinping e à atuação de Pequim junto a potências mundiais e países do Sul Global.
Segundo o periódico, a série de encontros promovidos pela China revela uma linha externa previsível, caracterizada pela manutenção do diálogo, defesa do desenvolvimento compartilhado e expansão da cooperação econômica. O texto descreve essa postura como uma “diplomacia da certeza”, buscando manter uma direção clara em um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas, fragmentação econômica e enfraquecimento de mecanismos multilaterais. A visão editorial sugere que a política chinesa não visa eliminar divergências, mas preservar canais de comunicação e criar condições previsíveis para a colaboração.
Relações com Estados Unidos e Rússia
As visitas dos então presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, à China, realizadas em maio, foram citadas como exemplos da independência que Pequim almeja em sua política externa. Durante a passagem de Trump, os governos concordaram em construir uma “relação China-EUA construtiva e de estabilidade estratégica”. Poucos dias depois, Putin esteve no país para aprofundar a parceria bilateral e acelerar projetos conjuntos.
A proximidade dessas visitas é interpretada pelo Global Times como uma demonstração de que a China pretende manter o diálogo com Washington sem limitar sua relação estratégica com Moscou. O editorial afirma que Pequim não cederá à pressão estadunidense para fechar canais de comunicação nem concentrará sua atuação internacional apenas na parceria com a Rússia. Para o veículo, essa capacidade de manter relações paralelas com potências rivais posiciona a China como um fator de estabilização.
Estratégia voltada ao Sul Global
A atuação chinesa na Ásia Central e na África também é parte dessa política. Na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, Xi Jinping defendeu “um mundo multipolar igualitário e ordenado”, argumentando que todos os países devem ter “direitos iguais, oportunidades iguais e regras iguais”, independentemente de seu tamanho ou poder. A visita ao Egito ilustrou essa visão nas relações com o Sul Global, país com o qual a China completou 70 anos de laços diplomáticos.
O Global Times destaca que Pequim busca ampliar parcerias sem exigir que outros países adotem seu modelo político ou de desenvolvimento. A estratégia consiste em identificar interesses comuns, respeitar as diferenças e evitar que divergências institucionais impeçam acordos econômicos e diplomáticos. Nesse contexto, países como Quirguistão, na Ásia Central, e Egito, importante parceiro no mundo árabe e na África e controlador do Canal de Suez, são relevantes.
A próxima etapa da agenda diplomática chinesa será a 33ª Reunião de Líderes Econômicos da APEC (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), programada para 18 e 19 de novembro, em Shenzhen. O encontro, com o tema “Construindo uma Comunidade Ásia-Pacífico para Prosperar Juntas”, abordará comércio, economia digital, inteligência artificial, segurança energética e abastecimento de alimentos. A expectativa é que a China use a reunião para fortalecer mecanismos institucionais e converter compromissos políticos em ações concretas de cooperação, reforçando sua imagem como defensora do multilateralismo e do desenvolvimento em um período de disputas entre potências.







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