O presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), César Callegari, propôs a criação de uma política nacional para a formação de professores. A iniciativa visa preparar uma nova geração de docentes por meio de cursos presenciais, em tempo integral, com bolsas de permanência e integração entre teoria e prática. As declarações foram dadas durante entrevista ao programa Nocaute com Fernando Morais, na TV 247, onde Callegari destacou a valorização dos professores como central para o avanço da aprendizagem e a adaptação do sistema educacional às transformações, como a inteligência artificial.
Callegari enfatizou a necessidade de valorizar os 2,3 milhões de professores que atuam no país, garantindo salários dignos, remuneração adequada, vinculação concreta à carreira e boas condições de trabalho. Ele argumentou que esses profissionais são o maior patrimônio da educação brasileira e essenciais para as mudanças necessárias. Ao mesmo tempo, ele defendeu uma reformulação da formação inicial, afastando-se de modelos predominantemente remotos e privilegiando cursos com contato direto e permanente dos futuros docentes com escolas e situações reais de ensino.
Reestruturação da formação e da carreira docente
Para o presidente do CNE, a formação docente não deve se limitar à transmissão de conteúdo, mas precisa preparar o profissional para compreender as mudanças tecnológicas, sociais, econômicas e geopolíticas que impactam a educação. Callegari defendeu um currículo que aborde tanto os problemas educacionais históricos do Brasil quanto os desafios futuros. Ele propôs formação presencial e em tempo integral, com bolsas para os estudantes e estágios efetivos nas escolas, para que os futuros professores saiam da graduação aptos a trabalhar.
Outro ponto criticado por Callegari foi o modelo de carreira do magistério, que ele considera ultrapassado. Segundo ele, a progressão profissional é baseada principalmente em tempo de serviço e titulação, critérios que datam do século XIX. O presidente do CNE sugeriu que atividades como produção intelectual, desenvolvimento de metodologias, criação artística e experimentação pedagógica deveriam ser valorizadas na trajetória profissional, promovendo a criatividade e a capacidade de inovar. Callegari também defendeu a atratividade da carreira por meio de valorização financeira, propondo um piso salarial de pelo menos R$ 10 mil para professores da educação básica, a fim de atrair os melhores talentos.
Impacto da inteligência artificial e crítica à plataformização
A chegada da inteligência artificial, segundo Callegari, reforça o papel do professor em vez de substituí-lo. Ele argumenta que, com a IA capaz de gerar textos e respostas, o foco da educação deve mudar para a formação de “perguntadores”, produtores de “prompts inteligentes” e pensadores críticos. Habilidades como criatividade, compreensão de contexto e capacidade de formular perguntas se tornam cruciais, transformando o professor em um mediador e incentivador da autonomia intelectual dos estudantes.
Callegari também criticou a “plataformização” da educação, referindo-se ao uso excessivo de pacotes digitais e aulas gravadas como substitutos da relação pedagógica. Ele alertou que, embora a tecnologia possa apoiar, ela se torna um problema quando visa substituir o professor e reduzir a autonomia docente. O presidente do CNE manifestou preocupação com a expansão de licenciaturas a distância oferecidas pelo setor privado, especialmente aquelas de baixa qualidade, enfatizando que “educação não é mercadoria” e que é preciso garantir a qualidade do ensino, mesmo em instituições privadas, para evitar a produção de diplomas sem valor real.







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