Nesta quarta-feira (2), o deputado federal Pedro Uczai (PT-SC) e colegas de bancada do PT, PCdoB, PSOL e REDE direcionaram uma cobrança ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo tratamento isonômico e transparência nas investigações do Banco Master. Eles protocolaram uma petição ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, solicitando o levantamento do sigilo sobre o caso Dark Horse, que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e recursos transferidos pelo empresário Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro.

A representação encaminhada ao Supremo pede que o Plenário da Corte determine a divulgação das investigações e estabeleça critérios uniformes de publicidade. Uczai enfatizou que os princípios de isonomia e transparência devem ser aplicados a todos os procedimentos, independentemente das figuras públicas envolvidas. O parlamentar destacou que Mendonça teria tornado públicos detalhes de investigações envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e informações relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes, enquanto mantém sob sigilo três procedimentos ligados a Flávio Bolsonaro, questionando a seletividade.

Questionamentos sobre a seletividade e o caso Dark Horse

O deputado afirmou que a solicitação apresentada ao STF não visa proteger nenhum dos envolvidos, mas sim garantir que todos sejam investigados com dignidade. Os parlamentares pedem a Fachin um critério único para a divulgação de informações relativas ao Banco Master, especialmente durante o processo eleitoral, garantindo tratamento institucional igualitário a todos os mencionados nas apurações.

Uczai citou registros financeiros, valores e transferências para o Havengate Development Fund, fundo utilizado no financiamento do filme Dark Horse, incluindo pagamentos posteriores a maio de 2025. Conforme reportagem da revista Piauí, Vorcaro teria enviado mais US$ 1,6 milhão ao fundo em setembro de 2025, elevando o total a US$ 12,3 milhões, com uma nova remessa tentada em outubro. A produtora Go Up Entertainment confirmou as transferências à Justiça de São Paulo, afirmando que os valores foram movimentados formalmente e incluídos na prestação de contas de junho de 2026. O caso está sob relatoria de André Mendonça.

Encontro entre Mendonça e Vorcaro

A petição também incorporou informações sobre um encontro reservado entre André Mendonça e Daniel Vorcaro em março de 2025, quando o Banco Master enfrentava problemas com o Banco Central. Segundo reportagem do jornalista Paulo Motoryn, citada no documento, Vorcaro teria se reunido com Mendonça por cerca de duas horas em um endereço privado em São Paulo. Os deputados, embora não tenham verificado independentemente a autenticidade de todo o material, argumentam que o episódio, se confirmado, exige esclarecimentos sobre as circunstâncias da reunião. Mendonça confirmou o encontro no Instituto Iter, fundado por ele, mas apresentou uma versão diferente, afirmando que a reunião durou entre 20 e 30 minutos e tratou de uma disputa sobre precatórios, e que posteriormente votou contra os interesses levados ao encontro.

Além do levantamento do sigilo, a representação solicita que Fachin notifique a Procuradoria-Geral da República para avaliar providências cabíveis, incluindo uma possível arguição de suspeição de Mendonça e a apuração de seus contatos com Vorcaro. Os deputados reservam o direito de apresentar diretamente a arguição de suspeição caso a diferença de tratamento persista após manifestação do Plenário, pedindo que Mendonça reavalie o sigilo e que o STF examine o caso na primeira sessão presencial após o protocolo.