O celular de Daniel Vorcaro, banqueiro investigado no caso Master, tornou-se o centro de uma crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF). Em menos de 24 horas, mensagens extraídas do aparelho envolveram os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça em revelações sobre contatos reservados e possíveis tentativas de influência. Os fatos ocorreram em agosto e setembro de 2025, em Brasília e São Paulo, e agora pressionam a Corte a explicar canais informais de acesso a seus integrantes.
Ordem incomum de Mendonça à PF
Em 24 de agosto, André Mendonça convocou integrantes da Polícia Federal (PF) para uma reunião sobre o caso Master. Na ocasião, ele determinou que a corporação produzisse, em 72 horas, um relatório sobre menções a Moraes, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Investigadores relataram à imprensa surpresa com a medida, interpretada como uma tentativa de colocar a PF para investigar seu próprio comando e o chefe do Ministério Público.
Conteúdo das mensagens e encontro fora do STF
O relatório, que teve sigilo retirado em 1º de setembro, mostrou Vorcaro buscando mobilizar Moraes em favor do Banco Master, inclusive em questões ligadas à PF. Não há provas de que Moraes tenha atendido aos pedidos, mas o efeito político foi imediato. No dia seguinte, novas mensagens revelaram que Mendonça havia sido procurado por um advogado, Ciro Rocha Soares, que dizia ao banqueiro estar “trabalhando” por ele e mencionou um encontro no Instituto Iter, instituição fundada pelo ministro, em 14 de março. Mendonça confirmou a reunião, mas afirmou que durou 20 a 30 minutos e tratou apenas de um processo de interesse do banco, no qual votou contra a posição do empresário.
Questionamentos sobre transparência
O encontro no Iter, sem registro na agenda pública e em espaço privado ligado ao ministro, levanta dúvidas sobre os princípios de transparência e imparcialidade previstos no Código de Ética da Magistratura. O instituto, que arrecadou pelo menos R$ 4,8 milhões entre 2024 e 2025, com contratos de entidades públicas e privadas, também é alvo de questionamentos sobre quem são seus financiadores, mas não há provas de relação financeira com Vorcaro.
Crise pode se espalhar
O caso já havia atingido o ministro Dias Toffoli, que se declarou suspeito para julgar processos relacionados ao Master. A possibilidade de novas revelações envolvendo outros ministros aumenta a desconfiança sobre os canais informais de acesso à Corte. Para investigadores, a rapidez com que Mendonça foi exposto após a ordem dada à PF sugere que setores internos podem ter usado as informações para retaliar, embora não haja confirmação. O que se sabe é que a divulgação seletiva das mensagens de Vorcaro intensifica a pressão sobre o STF e alimenta narrativas de crise institucional, beneficiando grupos que criticam a atuação do Tribunal.







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