A revelação de diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, divulgados na terça-feira (1º), abriu caminho para que a campanha do presidente Lula (PT) pressione pelo fim do sigilo das investigações do caso “Dark Horse”. Este caso apura a relação entre o proprietário do Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Aliados de Lula veem nesta situação uma oportunidade de desviar o foco da crise para as suspeitas envolvendo o Banco Master e a ligação de Vorcaro com Flávio Bolsonaro. Para eles, as novas informações reforçam a necessidade de tornar público o conteúdo sigiloso do caso “Dark Horse”. O ministro André Mendonça é o relator das investigações sobre o Banco Master e outros casos, incluindo desvios no INSS e apurações ligadas a Flávio Luis Lula da Silva, filho do presidente.
Repercussões e posicionamento de Lula
A pressão pelo fim do sigilo ganhou força entre petistas após a revista piauí também revelar, na terça-feira, detalhes de uma nova etapa da negociação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro para um suposto financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro. A reportagem indica que o ex-banqueiro teria feito um repasse adicional de US$ 1,6 milhão (R$ 8,5 milhões na cotação da época) para o fundo que administra os recursos do longa.
Apesar da tentativa de proteger Lula, aliados admitem que a exposição de Moraes pode, no curto prazo, animar setores do eleitorado bolsonarista, que veem o ministro como um dos principais adversários no Judiciário. Pessoas próximas a Lula sugerem que o presidente deve pedir explicações sobre o caso, buscando manter distância de Moraes. Avalia-se que Lula pode adotar uma postura similar à que teve nas acusações contra seu filho, Lulinha, quando afirmou publicamente que apenas o filho sabia a verdade sobre as suspeitas de tráfico de influência.
Críticas anteriores e cautela entre aliados
Aliados lembram que Lula já havia criticado publicamente a permanência de Moraes em votações relacionadas ao caso Banco Master. Em abril, o presidente afirmou ter aconselhado o ministro a se declarar impedido, dizendo: “você construiu uma biografia histórica com o julgamento do 8 de Janeiro; não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora sua biografia”. Naquela ocasião, Lula também mencionou que Moraes integrou o governo de Michel Temer (MDB), buscando afastar a ideia de alinhamento automático entre o ministro e o atual presidente.
No entanto, há cautela entre outros aliados de Lula. Este grupo avalia que ainda existem pontos não esclarecidos sobre a relação entre Moraes e Vorcaro, e que é cedo para medir o impacto da crise no Supremo ou seus efeitos eleitorais. A preocupação é que parte do eleitorado perceba Lula e Moraes como politicamente alinhados. Além disso, crises institucionais frequentemente são atribuídas ao governo em exercício, independentemente do envolvimento direto do presidente nos fatos investigados.
O caso também pode beneficiar candidatos ao Senado ligados à extrema direita, que utilizam o impeachment de Moraes como uma bandeira de campanha. Flávio Bolsonaro, após as novas informações sobre a relação entre o ministro e Vorcaro, declarou que Moraes não teria condições de permanecer no STF. Petistas avaliam que o episódio pode fortalecer a narrativa de setores bolsonaristas que questionam as urnas eletrônicas e a eleição de Lula. A principal preocupação é o risco de desestabilização política em pleno período eleitoral, especialmente se a crise se aprofundar no Supremo. A intensidade de uma possível reação de Lula, segundo aliados, dependerá do impacto das novas revelações no eleitorado.
As revelações mais recentes indicam que Vorcaro teria perguntado a Moraes, dois dias antes de ser preso, se deveria deixar o país. Também foi divulgado que o ministro teria editado um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master.







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