O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, propôs que o Supremo Tribunal Federal (STF) retire o sigilo de todas as investigações relacionadas ao Banco Master, às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao financiamento do filme Dark Horse. Segundo ele, é crucial que o eleitor tenha acesso a eventuais informações que possam envolver candidatos ao Palácio do Planalto antes de ir às urnas. A declaração foi feita em entrevista ao Estadão nesta quinta-feira (3).

Caiado enfatizou que a divulgação desses dados não pode ser seletiva, exigindo que informações sobre políticos de qualquer grupo recebam o mesmo tratamento. O candidato argumentou que a responsabilidade do Supremo, neste momento, é fundamental para que a democracia não seja prejudicada. Ele ressaltou que manter informações relevantes sob sigilo até após as eleições poderia comprometer a capacidade de escolha do eleitor, configurando uma "deformação do processo democrático pela omissão de oferecer ao cidadão as informações corretas".

Divulgação irrestrita e críticas à seletividade

Ao ser questionado sobre a possibilidade de informações envolverem nomes como Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira, Caiado reiterou sua defesa pela quebra irrestrita de sigilo. Ele afirmou que a imparcialidade deve prevalecer, sem que ministros da Corte, a Polícia Federal ou qualquer órgão governamental atuem de forma seletiva. Para o candidato, as explicações apresentadas até o momento por Flávio Bolsonaro e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre episódios mencionados na entrevista não são suficientes, e é necessária uma transparência total.

O presidenciável também manifestou apoio ao ministro André Mendonça, do STF, pela condução dos casos envolvendo o Banco Master e o INSS, aplaudindo sua atuação. Caiado comparou o cenário atual à época que antecedeu a revelação de informações da Operação Lava Jato na campanha presidencial de 2014, defendendo que a antecipação de fatos relevantes pode impactar a avaliação dos eleitores sobre os candidatos. Em outra frente, Caiado defendeu o afastamento do ministro Alexandre de Moraes do STF, argumentando que as suspeitas e questionamentos recentes comprometem sua permanência no cargo e desestabilizam a democracia.

Propostas econômicas e sociais

Na entrevista, Caiado criticou propostas de ajuste fiscal que preveem a desindexação das aposentadorias em relação ao salário mínimo. Ele prometeu, caso eleito, buscar cortes em outras áreas do orçamento, como a redução de emendas parlamentares impositivas e a revisão de benefícios tributários. O candidato estimou cortes de cerca de R$ 50 bilhões em emendas e R$ 30 bilhões em incentivos fiscais. Também criticou a reforma tributária, defendendo novas simulações sobre as alíquotas para evitar impactos negativos em profissionais liberais, serviços e comércio.

Em relação à jornada de trabalho, Caiado se posicionou a favor do fim da escala 6x1 e da redução da jornada semanal, mas alertou para a necessidade de um período de adaptação, especialmente para setores que dependem de trabalhadores especializados e para micro e pequenos negócios. Na segurança pública, o candidato propôs a criação de um sistema nacional de compartilhamento de informações, batizado de “Sentinela”, para identificar movimentações suspeitas e alertar governos estaduais sobre possíveis crimes, mantendo a autonomia dos estados na definição de suas políticas. Na política externa, Caiado defendeu a priorização de negociações diplomáticas com os Estados Unidos para enfrentar tarifas e atrair tecnologia, resgatando o papel do Itamaraty como um órgão de negociação comercial.