O candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), direcionou críticas à experiência política do escritor Augusto Cury (Avante) nesta quinta-feira (3). A manifestação ocorreu após a divulgação de uma pesquisa de intenção de votos que o colocou atrás de Cury na disputa. Caiado enfatizou que a Presidência exige um preparo robusto para interagir com órgãos como o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Tribunal de Contas da União (TCU).
A pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira (2), mostrou um avanço significativo de Cury, que subiu de 2% para 10% e alcançou a terceira posição. No mesmo levantamento, Caiado registrou uma queda de 4% para 1%. Durante uma sabatina promovida por um jornal paulista, o ex-governador de Goiás ressaltou, “Com todo respeito ao candidato Cury, que é uma pessoa respeitada, reconhecida, mas você vai ter que enfrentar um Congresso Nacional, você vai ter que ter a mesma condição de independência junto ao Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria-Geral da República, Tribunal de Contas da União”.
Experiência na vida pública
Questionado sobre a possibilidade de um presidente sem experiência prévia em cargos públicos, o candidato do PSD ponderou que é difícil imaginar que alguém sem essas etapas anteriores possa aprender a governar na cadeira presidencial, especialmente diante de um cenário complexo. Caiado usou seus 40 anos de atuação na vida pública como um dos seus principais trunfos, mencionando passagens pela Câmara dos Deputados, Senado e governo de Goiás como elementos que moldam um presidente.
Essa postura representa uma mudança no tom de Caiado, que no início da semana havia interpretado o crescimento de Cury como um indicativo de que a eleição poderia abrir espaço para candidaturas fora da polarização entre o presidente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Na ocasião, Caiado afirmou que “a população brasileira não quer mais esse nem-nem. Nem Lula, nem Flávio” e previu que um integrante do “segundo pelotão” chegaria ao segundo turno, acreditando que ele seria o escolhido. Anteriormente, Caiado já destacava sua experiência política, mas sem direcionar as críticas diretamente a Cury. A campanha de Cury não se manifestou sobre o assunto até a publicação da reportagem original.
Outras pautas abordadas
Durante a sabatina, Caiado também defendeu o afastamento do ministro Alexandre de Moraes do STF, argumentando que sua permanência poderia gerar uma “insurgência” e comprometer a ordem democrática. Segundo ele, cidadãos submetidos às decisões de Moraes poderiam questionar sua legitimidade e se recusar a cumprir suas determinações, colocando em risco a ordem democrática. Ele diferenciou essa situação de um processo de impeachment, que estaria amparado pelas prerrogativas constitucionais do Senado.
Sobre o uso de câmeras corporais por policiais, Caiado defendeu que a decisão deve ser dos governos estaduais, sem uma orientação nacional. Na área econômica, ele se posicionou a favor da reforma tributária, mas insistiu na necessidade de simulações para avaliar seus efeitos em diferentes setores como bares, restaurantes, varejo, indústria e aviação, que temem um aumento da carga tributária.







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