O governo de Nayib Bukele em El Salvador, caracterizado por uma postura de Estado forte, tem se tornado um referencial para a direita em ascensão na América Latina. Presidentes de países como Costa Rica, Equador, Argentina e, mais recentemente, Colômbia e Peru, observam o modelo salvadorenho como uma forma de unificar esforços contra o narcotráfico, muitas vezes com apoio dos Estados Unidos.
No entanto, esses líderes, ao se espelharem em Bukele, tendem a focar na política de segurança pública, negligenciando a ampla atuação estatal em outras esferas. Enquanto candidatos de ultradireita no Brasil defendem um Estado menor, citando El Salvador como exemplo, o próprio Bukele investe em programas sociais significativos. O governo salvadorenho, por exemplo, oferece 50 mil bolsas de estudo a 20 mil estudantes para profissionalização.
Contraste entre discurso e prática
Outro ponto relevante é a gestão de infraestruturas estratégicas. O Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), a maior prisão da América Latina, é uma instituição estatal, sem financiamento privado ou estrangeiro. Essa centralização do poder e da gestão pública em áreas cruciais, que vai da segurança à educação, contrasta com as propostas de muitos políticos que se dizem inspirados por Bukele, mas que defendem a diminuição do papel do Estado.
A dúvida que se impõe é se esses líderes que professam seguir o modelo de Bukele estão dispostos a adotar a totalidade de suas ações. Há uma dissonância perceptível entre o discurso de valorização da segurança pública e a prática de fortalecimento do sistema educacional ou a confrontação de grandes empresários, características marcantes da gestão salvadorenha.
É válido recordar o primeiro discurso de Nayib Bukele na ONU, onde ele criticou veementemente a influência de potências estrangeiras nas nações latino-americanas, referindo-se tanto à União Soviética quanto aos Estados Unidos. Na ocasião, o presidente de El Salvador deixou claro que a soberania de seu país prevalece sobre qualquer intervenção externa, refletindo uma postura de independência que poucos de seus admiradores parecem dispostos a emular.







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