247 – O que leva um agrônomo e empresário brasileiro a cruzar o Atlântico e estabelecer suas operações no mercado da Zâmbia? Longe dos estereótipos que muitas vezes moldam a percepção ocidental sobre o país e o continente africano, a Zâmbia oferece um ambiente de estabilidade, receptividade e franca expansão econômica. Durante o Fórum Empresarial Brasil-Zâmbia, promovido pela ApexBrasil em Lusaca, Carlos Kich, da Amatheon Agri, compartilhou, em entrevista ao Brasil 247, as razões que tornam a nação africana um destino estratégico e seguro para o empreendedorismo agropecuário.
“A Zâmbia é um país bem diferente do que esperamos quando escutamos ou falamos a respeito da África. A Zâmbia é um país onde não há crimes violentos, todo mundo é muito receptivo e amigável. Ao contrário do que pensamos, tem um mercado consumidor muito grande da África, um país que tem sua população crescendo e crescendo, e consumindo cada vez mais”, relatou Kich.
Para o executivo, o cenário local combina fatores estruturais decisivos para a geração de impacto econômico e social: “Há mão de obra muito disponível, os preços de commodities são bons, o governo é muito receptivo, com benefícios. Há uma situação de ganha-ganha. É um país de pouca população com emprego, portanto, conseguimos criar empregos. É um país que precisa de alimentos e onde conseguimos produzir alimentos.”
Foco no mercado interno
A estratégia da empresa não se baseia na exportação predatória, mas no abastecimento prioritário das demandas alimentares da população local e de seus vizinhos regionais. “Pensamos em abastecer o mercado local primeiro e a população que está em torno de nós, contribuindo com a sociedade local zambiana. Procuramos os produtos que a população gostaria de consumir e que são necessários no mercado local, e focamos nestes produtos”, explicou o agrônomo.
Como exemplo desse modelo de atuação, Kich cita a produção de trigo, cultura que enfrentava um gargalo histórico no país. “A Zâmbia consome cerca de 750 mil toneladas de trigo por ano, excluindo as exportações para a República Democrática do Congo. Contudo, os produtores locais produzem de 300 mil toneladas a 400 mil toneladas anuais. Há um déficit muito grande. Portanto, começamos a produzir o trigo.”
A atuação no setor agrícola estende-se a outros itens essenciais da cesta básica zambiana, com resultados expressivos na autossuficiência do país. “Importava-se muita cebola ao país, e graças a Deus e ao nosso trabalho e do governo, hoje o país é autossuficiente na produção de cebola. A mesma coisa com o feijão, mas ao contrário do Brasil, aqui trata-se do feijão rajado, e não o feijão carioca, que se usa muito no Brasil. A mesma coisa com a semente de milho híbrido, a mesma coisa com carne. Nossas produções são essas, e voltadas para o mercado local”, detalhou.
Ambiente de negócios favorável
Além da demanda por alimentos, o ambiente institucional e a estabilidade financeira da Zâmbia são apontados por Carlos Kich como diferenciais competitivos raros no cenário internacional. “O ambiente de negócios na Zâmbia é super favorável. A Zâmbia possui um superávit de transação em dólar por conta da exportação de cobre e de produtos agrícolas. Portanto, você consegue comprar e vender dólar, tirar e colocar dinheiro no país conforme você quiser”, ressaltou.
O apoio estatal e a acolhida da sociedade civil completam o quadro favorável para a atração de capital produtivo. “O governo está de portas abertíssimas para qualquer investidor que trouxer dinheiro para o país e crie empregos e desenvolvimento aqui. Qualquer barreira que enfrente, o governo está disposto a ajudar e, ao contrário do que acontece muitas vezes no Brasil e em outros lugares, a opinião pública aqui é super favorável à agricultura, ao crescimento e à criação de empregos.”
O empresário fez um convite direto à comunidade empresarial brasileira para explorar as oportunidades no país africano: “Todas as portas estão abertas para quem quiser investir na Zâmbia e eu realmente incentivo e convido todos brasileiros que quiserem vir ao país, seguro, sem crimes violentos, em que o governo está disposto a investir mais. Portanto, ao mesmo tempo que você pode ser um empreendedor social, porque é um país pobre, que precisa de desenvolvimento, crescimento e produção de alimento, você também como um investidor ou como um empreendedor terá um campo bem fértil para o seu negócio.”






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