247 – A brasileira Adilma Pereira Carneiro, de 50 anos, foi condenada à prisão perpétua na Itália pela morte do companheiro, Fabio Ravasio, em um crime que, segundo a Justiça italiana, foi planejado para parecer um atropelamento acidental. A acusação sustentou que a emboscada foi preparada durante meses por motivação financeira e com participação de outras sete pessoas.

As informações foram divulgadas pelo UOL nesta sexta-feira (4), com base no processo julgado pelo Tribunal de Assize de Busto Arsizio. Ravasio morreu em 2024 depois de ser atingido por um automóvel enquanto andava de bicicleta na província de Milão. Inicialmente, o caso foi tratado como acidente de trânsito.

As investigações, porém, levaram os promotores a concluir que o atropelamento havia sido deliberadamente organizado. Adilma foi apontada como mentora do homicídio e teria contado com pessoas próximas para executar o plano.

Segundo o Ministério Público italiano, o objetivo seria assegurar à brasileira o patrimônio de Ravasio, avaliado em cerca de € 3 milhões. A acusação afirmou que amigos, familiares e pessoas que mantinham relações afetivas com Adilma participaram de diferentes etapas da preparação e da execução do crime.

O julgamento durou cerca de 12 horas e resultou na condenação dos oito réus. Além de Adilma, Marcello Trifone e Fabio Lavezzo receberam penas de prisão perpétua.

Massimo Ferretti foi condenado a 24 anos de prisão. Igor Benedito recebeu pena de 23 anos; Mohammed Dhaibi, de 22 anos; Mirko Piazza, de 14 anos e quatro meses; e Fabio Oliva, de 14 anos.

Durante o processo, Adilma negou envolvimento no assassinato. Pouco antes da divulgação da sentença, manteve sua versão e afirmou que “não tinha motivos para matar Fábio”.

A brasileira também atribuiu suspeitas ao ex-marido Massimo Ferretti, igualmente condenado no processo. Segundo sua versão, ela teria descoberto que Ferretti procurava uma pessoa para matar Ravasio.

A tese apresentada pela defesa, entretanto, não convenceu o tribunal, que considerou comprovada a responsabilidade dos acusados no assassinato.

Os advogados da família de Ravasio, Francesco Arnone e Vincenzo Montalbano, afirmaram que o resultado do julgamento correspondeu às provas discutidas durante o processo.

“Estamos satisfeitos com a sentença, acreditamos que ela foi justa. A sentença refletiu o andamento do julgamento e estamos satisfeitos que todos os oito réus tenham sido considerados culpados”, disseram.

O caso também provocou a reabertura de outra investigação envolvendo Adilma. A Justiça italiana voltou a analisar a morte de Michele Della Malva, ex-marido da brasileira, ocorrida em dezembro de 2011.

Na época, o óbito foi atribuído a um infarto. Agora, os promotores investigam a hipótese de que Della Malva tenha sido envenenado e de que Adilma possa ter participado da morte. Até o momento, essa suspeita não resultou em uma condenação.

A repercussão dos dois casos levou parte da imprensa italiana a atribuir à brasileira o apelido de “louva-a-deus de Parabiago”, referência ao comportamento associado às fêmeas do inseto, que podem matar os machos depois do acasalamento.

A condenação pela morte de Fabio Ravasio, contudo, refere-se exclusivamente ao episódio de 2024, no qual a Justiça italiana concluiu que o atropelamento havia sido usado para encobrir um homicídio planejado.