O Brasil manifestou interesse em ampliar a cooperação com a Índia na transição para uma economia de energia mais limpa, oferecendo a experiência acumulada ao longo de mais de cinco décadas. A posição foi apresentada em um evento sobre mobilidade limpa, na Índia, por Roberto Carlos Razera Papa, adido agrícola da Embaixada do Brasil em Nova Délhi.

Segundo o diplomata, a mudança na matriz energética indiana abre espaço para que os dois países desenvolvam soluções conjuntas que unam sustentabilidade, crescimento econômico e benefícios sociais. Ele afirmou: “Estamos mais do que felizes em cooperar neste momento de transição da Índia da energia convencional para a energia verde”.

Experiência brasileira com biocombustíveis

Razera lembrou que o Brasil estruturou seus programas de energia alternativa ainda na década de 1970 e construiu uma trajetória considerada relevante no uso de biocombustíveis em grande escala. Para ele, a parceria com a Índia deve incluir troca de boas práticas e também foco em resultados econômicos e sociais.

O representante brasileiro também destacou que a pauta de energia deve continuar ganhando espaço nas discussões dos BRICS, grupo em que Brasil e Índia têm papel central. A aproximação entre os dois países ocorre em meio ao avanço da agenda de transição energética em Nova Délhi.

Índia aposta em várias frentes tecnológicas

Do lado indiano, Rajnath Ram, assessor do NITI Aayog, disse que o país não deve depender de uma única solução. A estratégia, segundo ele, inclui veículos elétricos, biocombustíveis, biogás comprimido (CBG), gás natural comprimido (CNG) e outras alternativas.

Ram afirmou que a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre eletrificação e biocombustíveis. A ideia é construir um conjunto de tecnologias limpas capaz de reduzir emissões, reforçar a segurança energética e gerar renda no campo.

Ele estimou que a Índia vai precisar de mais de US$ 4 trilhões em investimentos para montar a infraestrutura necessária à neutralidade de carbono. Para atrair capital privado, disse, será importante manter estabilidade nas políticas públicas, especialmente nos projetos ligados aos biocombustíveis.

Nesse contexto, o etanol aparece como um ponto de convergência entre os dois países. Brasil e Índia estão entre os maiores produtores de cana-de-açúcar do mundo e têm interesse em ampliar o uso de combustíveis renováveis para reduzir a dependência de fósseis importados e fortalecer suas economias rurais.