A divulgação de diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, provocou uma nova articulação da extrema direita nas redes sociais. A mobilização tem como alvo o magistrado e reacendeu, com maior intensidade, a pauta pelo impeachment de Moraes, que já era defendida por figuras ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

As discussões ganharam força por meio de vídeos, entrevistas e convocações para manifestações futuras. No Congresso Nacional, o senador Flávio Bolsonaro (PL) utilizou a tribuna para cobrar o início imediato do processo de impedimento contra o ministro. Nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, rebateu acusações anteriores e dirigiu críticas à família de Moraes, referindo-se ao ministro como “mafioso”. Lideranças religiosas da base bolsonarista também se manifestaram, como o pastor Silas Malafaia, que questionou a relação entre o banqueiro e o ministro em publicações nas redes sociais.

Impacto nas eleições para o Senado

Os recentes desdobramentos foram rapidamente integrados às estratégias eleitorais de candidatos ao Senado em diversos estados. Considerando que o Senado Federal é responsável por analisar e julgar pedidos de impeachment de ministros do STF, a disputa por essas cadeiras se tornou prioritária para o grupo político, levando até mesmo candidatos com perfis mais moderados a adotarem um discurso crítico a Moraes.

No Rio de Janeiro, o deputado federal Carlos Jordy (PL) declarou que o ministro “não tem mais condições de permanecer no STF”. No mesmo estado, o senador Carlos Portinho (PL), que busca a reeleição, assinou um novo pedido formal de impedimento. Em São Paulo, o candidato ao Senado André do Prado (PL), que antes focava em temas estaduais, passou a cobrar publicamente o andamento de pautas de cassação, criticando também o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por não pautar os requerimentos. Outros candidatos como Guilherme Derrite (PL) e Ricardo Salles (Novo) também reforçaram posições favoráveis ao afastamento do ministro.

A mobilização se estendeu a outros estados. Em Minas Gerais, o senador e candidato à reeleição Domingos Sávio (PL-MG) afirmou que há “comprovação do envolvimento de Moraes com um dos maiores crimes que o Brasil já viu”. No Ceará, o candidato ao Senado Alcides Fernandes (PL) defendeu a “prisão preventiva de Alexandre de Moraes”. Em Goiás, a questão uniu diferentes vertentes da direita local, com a candidata Gracinha Caiado (PSD) defendendo o impeachment caso abusos sejam confirmados, e o deputado federal Dr. Zacharias Calil (MDB) argumentando pela fiscalização de toda autoridade pública. O deputado Gustavo Gayer (PL) intensificou as críticas e cobrou a destituição do ministro em diversas publicações.