Em meio à iminente votação, nesta quarta-feira (2), da proposta que extingue a escala de trabalho 6x1 no Senado Federal, senadores bolsonaristas em período eleitoral buscam minimizar sua exposição pública. A avaliação interna do grupo é que se posicionar contra o fim do modelo de seis dias trabalhados para um de folga pode acarretar desgaste junto aos eleitores, principalmente porque pesquisas indicam grande aceitação popular da medida.
Reservadamente, parlamentares da oposição reconhecem a delicadeza da situação e planejam que a oposição mais veemente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) seja conduzida por congressistas que não estão concorrendo nas eleições deste ano ou que se encontram no meio de seus mandatos. Nomes como Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Dr. Hiran (PP-RR) e Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), que não buscará reeleição, são cotados para liderar essa resistência. O objetivo é impedir que senadores candidatos sejam diretamente associados à posição contrária ao fim da escala 6x1.
Manobras e ausências estratégicas
Um caso notável é o de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência pelo PL. Ele tem evitado declarar publicamente sua oposição à proposta e deverá se ausentar da sessão da CCJ. Durante a votação, o senador estará na Expointer, feira do agronegócio em Esteio (RS). Embora tenha afirmado que participaria remotamente, a sessão foi definida como presencial. Questionado sobre sua posição, Flávio Bolsonaro não respondeu diretamente se votaria contra o fim da escala, afirmando apenas que apoiaria uma proposta alternativa de jornada flexível com pagamento por hora trabalhada.
A oposição planeja priorizar um projeto alternativo que aborda a jornada flexível. Rogério Marinho, líder da oposição, indicou que utilizará o regimento para defender essa estratégia, podendo solicitar vista para adiar a análise. Mesmo entre parlamentares do PL que votarão contra a proposta, há cautela na exposição. Um senador do partido, ouvido em condição de anonimato, afirmou que seguirá a orientação partidária, mas evitará discursar, apresentar emendas ou tentar atrasar publicamente a tramitação, temendo a repercussão negativa junto ao eleitorado.
Mudanças na CCJ e pressão governista
A movimentação gerou mudanças na composição da CCJ. O senador Marcos Rogério (PL-RO), candidato ao governo de Rondônia, deixou o colegiado. Esperidião Amin (PP-SC), que busca a reeleição, passou de titular a suplente, sendo substituído por Laércio Oliveira (PP-SE), que está no meio do mandato. Na semana anterior, Tereza Cristina (PP-MS) substituiu Ciro Nogueira (PP-PI), candidato à reeleição, e deve se posicionar contra o projeto do governo, orientando a bancada do PP a votar de forma contrária.
Parlamentares opositores argumentam que o fim da escala 6x1 pode ter impactos significativos em empresas de diversos portes e questionam a votação sem uma avaliação adequada dos efeitos em setores como o aéreo. Por outro lado, o governo aposta no apelo eleitoral da pauta. Uma pesquisa Quaest de julho revelou que 69% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6x1, e 75% da população já sabia da aprovação da proposta na Câmara e sua análise no Senado. O relator da proposta, Omar Aziz (PSD-AM), interrompeu sua campanha para o governo do Amazonas para se dedicar à tramitação da PEC. O senador Rogério Carvalho (PT-SE), também candidato à reeleição, havia solicitado a relatoria do fim da escala 6x1, mas acabou com a relatoria da PEC da Segurança Pública.
A votação na CCJ ocorre em meio à ofensiva do presidente Lula (PT), que busca associar a resistência à proposta aos seus adversários. Em sua propaganda eleitoral, Lula afirmou que o governo tenta aprovar o fim da escala 6x1 sem redução salarial, mas enfrenta oposição, declarando que seus adversários “jogam contra o trabalhador”. A exposição dos bolsonaristas pode ser mitigada, por enquanto, já que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), indicou que a PEC só deve ir a plenário após as eleições. Contudo, a votação na CCJ se tornou um teste político para a oposição, que tenta equilibrar as críticas ao texto com o receio de se desgastar em uma pauta de grande apelo popular. O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), sinalizou que um eventual pedido de vista será concedido por um curto período de tempo.







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