Uma pesquisa da Palver, divulgada pela CNN Brasil, indicou que um boato sobre a suposta retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida impactou negativamente o senador Flávio Bolsonaro (PL) e trouxe vantagens para o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no ambiente digital. A falsa informação associou o parlamentar a uma proposta arquivada em 2008.

As críticas a Flávio Bolsonaro representaram 73% das manifestações online sobre o tema, em contraste com 27% de apoio, excluindo publicações neutras. No WhatsApp e Telegram, 60% das mensagens eram contrárias ao senador, enquanto 40% eram favoráveis. O levantamento também apontou que 37% das mensagens analisadas apresentavam a informação falsa como verídica, enquanto desmentidos e defesas de Flávio corresponderam a 16% do conteúdo.

Disseminação e repercussão

A discussão teve um aumento significativo, atingindo 735 menções a cada 100 mil mensagens em um dia específico, comparado a 40 a 80 menções anteriormente. Segundo a Palver, perfis de esquerda tiveram papel proeminente na disseminação do conteúdo, alcançando alto engajamento. O relatório classificou Flávio Bolsonaro como o 'ator político mais prejudicado' e o PT, juntamente com o campo governista, como os 'principais beneficiados pela narrativa'. A análise sugere que o episódio pode causar uma 'erosão do apoio católico' à candidatura do senador, ressaltando que o estudo acompanha o debate digital e não mede intenção de voto.

A associação de Flávio Bolsonaro ao tema originou-se de um projeto de 2007, apresentado pelo então deputado Victorio Galli, que propunha substituir a expressão 'Padroeira do Brasil' por 'Padroeira dos brasileiros católicos'. O projeto, que não foi proposto pelo senador, foi arquivado no ano seguinte. O veículo que divulgou a informação falsa posteriormente se retratou. Flávio Bolsonaro publicou um vídeo negando qualquer envolvimento e reiterou sua posição em evento no Rio de Janeiro, atribuindo a disseminação da informação falsa à 'milícia do PT', embora o estudo não comprove a autoria do boato por parte desse grupo.

Posicionamentos e eleitorado religioso

O senador enfatizou seu respeito por todas as religiões, declarando-se cristão evangélico. O vice-presidente Geraldo Alckmin também se manifestou, garantindo que o governo preservará as tradições religiosas. A disputa pelo eleitorado religioso é relevante, conforme dados do Datafolha, que mostraram Lula com 45% das intenções de voto entre católicos, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Entre os evangélicos, o senador obteve 47%, enquanto o presidente alcançou 27%.

Bispos do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgaram um vídeo em defesa da democracia, do voto consciente e contra a manipulação religiosa, reforçando que 'as igrejas não são currais eleitorais'.