O secretário Nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, cobrou na terça-feira (1º) explicações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre pagamentos recebidos de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master e atualmente preso por envolvimento em fraude financeira. A manifestação de Valadares ocorreu após uma nova reportagem da revista piauí detalhar repasses adicionais feitos pelo banqueiro, contradizendo as declarações anteriores do senador.

De acordo com o dirigente petista, Flávio Bolsonaro teria mentido publicamente ao tentar ocultar a extensão de sua relação pessoal e de negócios com o empresário. Valadares relembrou que, quando negociações para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro vieram à tona, o senador afirmou que as transferências financeiras haviam terminado em maio de 2025.

Novas revelações do Coaf

Entretanto, investigações da revista piauí, baseadas em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), desmentem a versão apresentada por Flávio Bolsonaro. O relatório do órgão de fiscalização indicou que Vorcaro realizou uma nova transferência em 16 de setembro de 2025. O montante, superior a 1,5 milhão de dólares (cerca de R$ 8,5 milhões na cotação da época), foi direcionado ao fundo responsável pela produção do filme “Dark Horse”.

A transação ocorreu oito dias depois de Flávio Bolsonaro ter solicitado ao empresário novos aportes financeiros para o projeto cinematográfico. Além desse repasse confirmado, mensagens trocadas entre as partes sugerem a possibilidade de pagamentos posteriores. Em uma das conversas, Vorcaro teria afirmado ter liberado mais uma parcela ao ser questionado sobre novos envios de dinheiro para a obra.

Diante das novas informações, o secretário de Comunicação do PT exigiu transparência e destacou o dever do parlamentar, por sua função pública e pré-candidatura à Presidência da República, de prestar contas detalhadas à sociedade sobre os valores recebidos do proprietário do Banco Master. Valadares questionou a quantia total que Vorcaro realmente investiu e o destino de cada centavo solicitado e recebido pelo senador.