Ataques dos Estados Unidos no Irã causaram a morte de pelo menos 18 indivíduos e deixaram 108 feridos, sendo 105 mulheres e menores de idade, conforme noticiado na última quinta-feira (3) pela Al Jazeera. Entre os falecidos, estavam duas crianças. Uma das ofensivas atingiu uma festa de casamento em Kuhestak, no condado de Sirik, enquanto o presidente Donald Trump ameaçava novas ações militares. Os bombardeios se concentraram na costa sul iraniana, próximo ao Estreito de Ormuz, e foram seguidos por uma retaliação iraniana contra instalações militares americanas no Oriente Médio.
O ministro da Saúde iraniano, Mohammad-Reza Zafarghandi, confirmou que duas crianças morreram nos ataques, incluindo Amir Ali Karimi, de quatro anos, atingido durante o bombardeio à cerimônia de casamento. Pelo menos quatro civis perderam a vida nesse incidente. Além de Amir Ali, foram identificadas as vítimas Mohammad Malahi, de 16 anos, e Kolsoum Malahi e Zarkhatoun Taheri, ambas de 43. Imagens do local mostram a residência destruída, destroços espalhados e danos em imóveis vizinhos, com calçados infantis e femininos entre os escombros.
Denúncias e Reações
Ali Malahi, dono da casa onde sua filha celebrava o casamento, declarou à televisão estatal iraniana que todos os presentes eram civis. Um jovem ferido relatou ter visto aviões sobrevoando a área pouco antes das explosões, e uma testemunha afirmou que não havia instalações militares próximas ao local atingido. Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, classificou o bombardeio em Kuhestak como crime de guerra, rebatendo a versão do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) de que forças americanas não atacam civis.
A Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano reuniu evidências do ataque e informou o Gabinete do Procurador do Tribunal Penal Internacional. Tim Hawkins, porta-voz do Centcom, reconheceu os relatos de vítimas civis, mas atribuiu as informações à imprensa estatal iraniana, afirmando que as Forças Armadas dos EUA nunca atacam civis, ao contrário da Guarda Revolucionária. No entanto, a Al Jazeera destacou que vídeos, testemunhos e registros oficiais indicam que vários projéteis atingiram Kuhestak, um deles diretamente o telhado da casa onde ocorria o casamento.
Tensões Escaladas
Mesmo após a confirmação das mortes de civis, o então presidente Donald Trump declarou que as forças americanas estavam preparadas para lançar mais ofensivas contra o Irã. Ele mencionou um ataque pesado na noite anterior e afirmou que estariam prontos para outro a qualquer momento, indicando que a nova fase dos confrontos não deveria durar muito. Trump também sustentou que os ataques teriam destruído equipamentos militares iranianos instalados ao longo do Estreito de Ormuz. Paralelamente, os Estados Unidos intensificaram a campanha de isolamento econômico do Irã, com planos de ampliar sanções contra países e empresas que mantêm relações comerciais com Teerã.
Em resposta aos bombardeios, o Irã lançou mísseis e drones contra instalações militares americanas em países do Oriente Médio, como Kuwait, Bahrein, Iraque e Jordânia. Esta troca de ataques foi a mais intensa desde julho, aumentando o risco de uma guerra mais ampla na região do Golfo Pérsico. O conflito também mantém sob tensão o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio global de petróleo. Autoridades iranianas, citadas pela Al Jazeera, informaram que mais de 3.500 pessoas morreram no país desde o início do conflito com os EUA e Israel, que teve início em fevereiro, atingindo não apenas alvos militares, mas também escolas, hospitais e infraestruturas civis.







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