A cantora sertaneja Ana Castela se tornou alvo de críticas nas redes sociais após o lançamento da canção “Não é Pressa, é Pressão”. A música, gravada em parceria com Rincon e DJ Boss, gerou polêmica porque, segundo ouvintes, a artista utilizou a estrutura melódica e o refrão do clássico “Rap da Felicidade”, de Cidinho e Doca, de 1995, para promover uma narrativa ligada ao universo agro, diferente da mensagem original do funk carioca.

O “Rap da Felicidade” é reconhecido como um marco da música periférica brasileira, abordando temas como a busca por paz, respeito às comunidades e o direito à dignidade da população em favelas. Seu verso emblemático “Eu só quero é ser feliz / Andar tranquilamente na favela onde eu nasci” tornou-se um hino de denúncia social e clamor por justiça.

Comparativo das letras e repercussão

Na versão de Ana Castela, a narrativa de denúncia social e a busca por justiça foram substituídas por elementos de consumo e lazer. A letra original de Cidinho e Doca diz: “Eu só quero é ser feliz / Andar tranquilamente / Na favela onde eu nasci, é / E poder me orgulhar / E ter a consciência que o pobre tem seu lugar”.

Já a releitura de Ana Castela apresenta: “Mas eu só quero é ser feliz / Com uma Dodge Ram / Que o barretão tá vindo aí, né? / E poder me embriagar / Ao som do DJ boss e o Rincon vai ritmar”.

Essa substituição de um apelo por igualdade social e orgulho da origem humilde por referências a veículos de luxo e grandes eventos do segmento sertanejo provocou forte reação do público. Nas plataformas digitais, muitos internautas acusaram a produção de esvaziar a relevância histórica e o peso cultural da obra original para se adequar a uma estética de ostentação, descaracterizando a mensagem socialmente engajada do "Rap da Felicade" em sua nova interpretação.