A expressiva subida do escritor Augusto Cury, candidato à Presidência da República pelo partido Avante, nas pesquisas de intenção de voto chamou a atenção das campanhas adversárias. Contudo, apesar do crescimento inesperado, os concorrentes decidiram não direcionar ataques ao candidato, conforme apurado. Nos levantamentos recentes, como os da Quaest e BTG/Nexus, Cury atingiu dois dígitos na intenção de voto, consolidando-se na terceira posição.

Na pesquisa Quaest, o escritor alcançou 10% das intenções de voto. Já no estudo BTG/Nexus, ele obteve 11%, representando um aumento de 9 pontos percentuais. Com esses resultados, Cury se posicionou atrás apenas do presidente Lula (PT), que lidera com 37%, e de Flávio Bolsonaro (PL), que registra entre 30% e 31%.

Crescimento e Estratégia dos Adversários

O avanço da candidatura de Augusto Cury se intensificou, especialmente, após sua participação em um debate transmitido pela TV Bandeirantes, onde confrontou outros candidatos. Após o evento, Cury ganhou mais de um milhão de seguidores em suas redes sociais e utilizou plataformas digitais e influenciadores para se apresentar como uma alternativa à polarização política vigente.

Apesar do crescimento nas pesquisas e nas redes sociais, os demais candidatos não consideram Cury um adversário direto. A avaliação predominante entre as campanhas concorrentes é de que o escritor tem um limite eleitoral e não deve avançar muito mais. Uma das campanhas adversárias chegou a afirmar que Cury estaria desconectado da realidade e não teria capacidade de cativar o eleitor por um longo período.

Cálculos para um Segundo Turno

Além da percepção sobre o teto de crescimento de Cury, cálculos pragmáticos sobre o desenrolar da disputa influenciam a decisão de evitar o confronto. As campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro, que despontam como prováveis concorrentes em um segundo turno, consideram a necessidade de angariar o eleitor do candidato do Avante nessa etapa do pleito. Por essa razão, as equipes avaliam que um embate direto neste momento poderia ser um erro tático.

Adicionalmente, tanto petistas quanto bolsonaristas planejam buscar uma aliança formal com o escritor em um eventual segundo turno. Diante desse cenário, tanto o PT quanto o PL devem continuar focando seus ataques um no outro, mantendo a polarização no centro da estratégia eleitoral. Um interlocutor do presidente Lula confirmou que o objetivo da campanha petista permanece sendo enfraquecer Flávio Bolsonaro, mantendo-o como o principal alvo de ataques ao longo de toda a campanha.