247 – A interligação de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN) reduziu em mais de 90% o número de ocorrências com corte de carga no estado e eliminou os blecautes no período analisado após a entrada em operação da Linha de Transmissão Manaus–Boa Vista. O empreendimento, conhecido como Linhão de Tucuruí, completou um ano desde sua energização e encerrou o isolamento elétrico de Roraima.
Os dados foram divulgados pelo Ministério de Minas e Energia (MME) nesta terça-feira (22), durante visita do ministro Alexandre Silveira à Subestação Boa Vista. Segundo o ministério, a linha tem cerca de 724 quilômetros, recebeu aproximadamente R$ 3,3 bilhões em investimentos e gerou cerca de 3 mil empregos diretos durante sua construção.
O balanço apresentado pelo governo mostra que, entre janeiro e setembro de 2025, antes da integração ao SIN, foram registradas 243 perturbações com corte de carga em Roraima, três delas com blecautes. Após a interligação, o número caiu para 23 ocorrências, sem registro de blecaute, uma redução de 90,53%. Os números têm como base dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Relatório publicado pela própria EPE em junho deste ano confirma os números e aponta que a linha começou a ser energizada em 10 de setembro de 2025. A estatal também destaca ganhos relacionados à segurança do abastecimento, à diminuição dos custos associados à geração térmica e à redução das emissões de gases de efeito estufa.
Durante a visita, Silveira afirmou que a capacidade disponibilizada pela interligação abre espaço para a expansão do consumo e de atividades econômicas em Roraima.
“Estamos fazendo um ano da principal obra do sistema elétrico brasileiro, que foi o Linhão de Tucuruí, que trouxe energia firme e segura de Manaus até Boa Vista. E o governo do presidente Lula está aqui, em Roraima, buscando novos desafios com o planejamento já que temos 1 GW de energia chegando, quatro vezes mais que o estado necessita, o que demonstra que a gente pode crescer na distribuição, desenvolvendo econômica e socialmente o estado de Roraima. Também tivemos uma avaliação muito positiva aqui, onde praticamente acabou a instabilidade que tínhamos aqui”, declarou o ministro.
Economia de R$ 540 milhões por ano
Além da diminuição das interrupções, a EPE estima que a conexão de Roraima ao sistema nacional permitirá reduzir em aproximadamente R$ 540 milhões por ano os encargos setoriais relacionados ao abastecimento do estado nos próximos anos.
A economia está associada principalmente à menor necessidade de geração por termelétricas movidas a óleo diesel, utilizadas durante o período em que Roraima operava de forma isolada do restante do sistema elétrico brasileiro.
A redução do uso de combustíveis fósseis também terá impacto ambiental. A projeção é de que até 300 mil toneladas de dióxido de carbono deixem de ser emitidas por ano a partir de 2026, na comparação com os níveis registrados em 2024.
O informe técnico da EPE também estima redução anual de R$ 540 milhões nas despesas ligadas à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), mecanismo utilizado para subsidiar parte dos custos da geração térmica nos sistemas isolados.
Antes da construção da linha, Boa Vista era a única capital brasileira que permanecia fora do SIN. Atualmente, a maior parte da demanda de Roraima pode ser atendida por energia proveniente do sistema nacional, cuja matriz é predominantemente renovável. As usinas termelétricas instaladas no estado continuam disponíveis como apoio à segurança da operação.
Conta de luz teve redução média de 14,67%
O MME informou ainda que os consumidores da Roraima Energia passaram a contar, desde 1º de setembro, com uma redução tarifária média de 14,67%, autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Segundo o ministério, a medida incorporou recursos antecipados da repactuação das cotas de Uso de Bem Público (UBP), destinados à redução das tarifas. A concessionária atende aproximadamente 213 mil unidades consumidoras em Roraima.
A expansão da infraestrutura também elevou a capacidade disponível para o estado. Conforme a EPE, a Linha Manaus–Boa Vista foi dimensionada para transportar uma quantidade de energia aproximadamente quatro vezes superior à demanda atual de Roraima.
Luz para Todos soma mais de R$ 345 milhões no estado
A agenda de Alexandre Silveira em Roraima também incluiu comunidades contempladas pelo programa Luz para Todos. Na segunda-feira (21), o ministro esteve na comunidade indígena Serra do Sol, no município de Uiramutã, e nas comunidades dos Sonhos e Cachoeirinha, em Mucajaí.
Em Serra do Sol, foram destinados R$ 7,76 milhões para conectar 104 unidades consumidoras. Escolas, posto de saúde e cozinha comunitária também foram incluídos no atendimento. Outras 23 residências deverão receber eletricidade na continuidade da etapa destinada às regiões remotas.
Na Comunidade dos Sonhos, em Mucajaí, foram atendidas 60 unidades consumidoras, enquanto Cachoeirinha recebeu outras 12 ligações.
Atualmente, duas etapas do Luz para Todos em execução em Roraima concentram mais de R$ 345 milhões em investimentos. Aproximadamente 70% desses recursos são destinados à expansão convencional das redes de distribuição em áreas rurais. Os 30% restantes financiam sistemas de geração solar em localidades remotas e de difícil acesso.
A próxima etapa rural convencional prevê cerca de 6 mil novas ligações, com instalação de postes, cabos, transformadores e demais equipamentos de distribuição. Para regiões isoladas, estão previstas mais de 500 novas conexões por sistemas fotovoltaicos.
Desde 2023, segundo o Ministério de Minas e Energia, o Luz para Todos já alcançou 6.966 famílias em Roraima, o equivalente a aproximadamente 27,9 mil pessoas. Desse universo, 1.599 famílias de regiões remotas passaram a contar com energia produzida por sistemas fotovoltaicos.






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