A Meituan, empresa chinesa que atua no mercado brasileiro de delivery sob a marca Keeta, está no centro de uma controvérsia que pode gerar atrito diplomático com a China. O governo chinês acompanha de perto as movimentações da Meituan devido a acusações de concorrência desleal. O iFood apresentou uma representação ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra a plataforma chinesa, alegando práticas de preço predatório.
A representação acusa a Meituan de subsidiar a operação da Keeta para oferecer preços abaixo do custo, com o objetivo de conquistar o mercado e eliminar concorrentes nacionais. São citados cupons de até R$ 250 e descontos que chegam a 80%, resultando em prejuízos por pedido que seriam financiados pela controladora chinesa. Essa prática é vista como um possível caso de dumping.
Práticas Contestadas na China
O governo chinês tem um histórico de intervenções contra a Meituan. A empresa, que chegou a dominar cerca de 65% do mercado de delivery na China em 2024, já foi multada em aproximadamente R$ 2,9 bilhões em 2021 pela Administração Estatal de Regulação do Mercado (SAMR), órgão equivalente ao Cade no Brasil, por abuso de posição dominante e imposição de exclusividade a restaurantes.
Mais recentemente, em abril deste ano, a Meituan foi novamente punida, juntamente com outras seis plataformas, por irregularidades relacionadas à segurança alimentar e à verificação de estabelecimentos cadastrados. As multas e valores confiscados dessas empresas somaram cerca de R$ 2,8 bilhões.
Inconsistência de Regras e Impacto Diplomático
A situação no Brasil ganha contornos mais delicados quando se observa que, em junho, a própria SAMR propôs regras para coibir subsídios prolongados e em larga escala no mercado chinês, buscando impedir que plataformas usem sua vantagem financeira para prejudicar a concorrência e proibir a venda abaixo do custo. A Meituan, inclusive, manifestou apoio público a essas medidas.
Setores do mercado brasileiro planejam questionar o governo chinês sobre a razão de práticas combatidas internamente por Pequim estarem sendo adotadas por uma multinacional chinesa no Brasil. A intenção é pressionar as autoridades chinesas a intervir na conduta da Meituan antes que a situação evolua para um constrangimento diplomático. Tal desgaste não seria favorável à China, que busca ampliar sua influência econômica e geopolítica no Brasil.







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