O segundo turno das eleições presidenciais neste domingo registrou a menor taxa de abstenção em 20 anos. A abstenção caiu para 19,22%, frente aos 21,08% do primeiro turno. No total, 30,4 milhões de brasileiros não compareceram às urnas, enquanto 128,1 milhões votaram. O resultado consagrou a reeleição do presidente Lula com 51,78%, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve 48,22%, marcando um resultado inédito nas eleições presidenciais.
Os votos inválidos também atingiram o menor nível registrado em décadas. Os nulos e brancos somaram 3,24%, uma redução significativa frente aos 4,77% do primeiro turno.
Problemas no transporte público marcaram o segundo turno, com dificuldades identificadas em cidades dos estados da Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe, Pará, Alagoas e Rio de Janeiro. Na capital baiana, a Justiça eleitoral decretou a prisão do secretário de Mobilidade, Pablo Souza.
Diante das dificuldades enfrentadas, o PT pediu a ampliação do horário de encerramento da votação de 17h para 19h. O PL também solicitou a medida em São Paulo, Paraná e Santa Catarina, em razão das chuvas. O ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), e posteriormente o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), aprovaram os pedidos. Porém, as decisões foram tomadas próximo às 17h e muitas seções já tinham encerrado o processo de votação.
Visando reduzir a abstenção, o governo intensificou esforços para estimular a participação, particularmente entre idosos. Divulgou que o comparecimento às urnas serve como prova de vida para beneficiários do INSS. No primeiro turno, a abstenção já havia diminuído entre jovens até 18 anos, idosos e pessoas menos instruídas comparado a 2022.
A queda de abstenção não foi uniforme nos estados. A Bahia registrou o maior recuo, de 3,26 pontos percentuais, com Lula conquistando 71,31% dos votos válidos. Pernambuco teve redução de 2,99 pontos (Lula com 69,2%), e São Paulo caiu 2,73 pontos (vitória de Flávio Bolsonaro com 53,85%). Em contraste, Amapá, Roraima e Acre registraram as maiores altas na abstenção. No total, 18 estados tiveram redução e 9 aumento da abstenção.
Até nas cidades que enfrentaram obstáculos de transporte, a abstenção caiu. Salvador viu redução de 27,3% para 26,8%, Lauro de Freitas passou de 22,9% para 17,4%, e Feira de Santana caiu de 17,2% para 12,9%. Em São Paulo, a taxa foi de 20,2% (ante 23,3% antes), e no Rio de Janeiro diminuiu de 26,1% para 23,1%.
Historicamente, a abstenção sempre aumentava no segundo turno em eleições presidenciais. O confronto entre Lula e Bolsonaro em 2022 foi o primeiro a registrar redução de 0,38 pontos percentuais. Desta vez, a queda foi consideravelmente maior, consolidando uma nova tendência nas eleições presidenciais brasileiras.







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